Em Cinema, Destaques

Por José Geraldo Couto

Num ano de grandes traumas no Brasil e no mundo, o cinema, se não serviu para consertar nada, ao menos nos ajudou a manter aguçados o olhar e a sensibilidade. Atendo-nos aos títulos lançados no circuito comercial, alguns veteranos fundamentais (Bellocchio, Verhoeven, Almodóvar, Clint Eastwood, Woody Allen) marcaram presença, ao lado de estreantes promissores, como Robert Eggers, do surpreendente A bruxa.

Uma boa nova foi o espaço concedido, nas bordas do circuito, para cineastas de difícil comercialização, pela duração de seus filmes ou pela radicalidade de sua estética, como o filipino Lav Diaz (Norte, o fim da história e Do que vem antes, o tailandês Apichatpong Weerasethakul (Cemitério do esplendor), o húngaro Béla Tarr (O cavalo de Turim) e o chinês Hou Hsiao-Hsien (A assassina).

O cinema brasileiro foi dominado por duas obras de grande repercussão internacional, ambas produzidas em Pernambuco: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e Boi néon, de Gabriel Mascaro. Mas houve também uma curiosa consolidação de um gênero, o terror, por obra de estreantes como Rodrigo Gasparini e Dante Vescio (O diabo mora aqui) e de veteranos como Walter Lima Jr. (Através da sombra), além da já quase especialista Juliana Rojas (Sinfonia da necrópole).

Para simplificar, e para atender ao gosto dos tempos atuais por listas de “melhores do ano”, relaciono abaixo, sem ordem de preferência, dez produções estrangeiras e dez nacionais que me tocaram de alguma maneira em 2017, entre as lançadas em nossos cinemas. Podem não ser os melhores, mas são os que ficaram e ficarão na minha memória. Escrevi sobre a maioria deles no Blog do IMS.

Estrangeiros

Elle, de Paul Verhoeven

As mil e uma noites, de Miguel Gomes

Belos sonhos, de Marco Bellocchio

Julieta, de Pedro Almodóvar

A bruxa, de Robert Eggers

No fim do túnel, de Rodrigo Grande

O abraço da serpente, de Ciro Guerra

Mais forte que bombas, de Joachin Trier

Sully, de Clint Eastwood

Os oito odiados, de Quentin Tarantino

Nacionais

Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

Boi néon, de Gabriel Mascaro

Cinema novo, de Eryk Rocha

Para minha amada morta, de Aly Muritiba

Mãe só há uma, de Anna Muylaert

Ralé, de Helena Ignez

Sinfonia da necrópole, de Juliana Rojas

O diabo mora aqui, de Rodrigo Gasparini e Dante Vescio

Mate-me por favor, de Anita Rocha da Silveira

Ponto zero, de José Pedro Goulart

Outros filmes brasileiros lançados em 2016 e mui dignos de lembrança: Big Jato (Claudio Assis), Futuro junho (Augusta Ramos), O silêncio do céu (Marco Dutra), Campo Grande (Sandra Kogut), Exilados do vulcão (Paula Gaitán), Trago comigo (Tata Amaral), Curumim (Marcos Prado), Menino 23 (Belisário Franca) e Brasil S/A (Marcelo Pedroso), entre muitos outros. Enfim, o ano pode ter sido sinistro na política, mas foi belo e multifacetado nas telas.

Blog MIS:30/12/2016.

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José Geraldo Couto. Jornalista e Tradutor. É crítico de cinema

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