Em Destaques, Polêmica na Blogosfera

Desde seus tribulados primeiros passos, talvez em Bologna, sob o nome de “Studio Generale”, a Instituição que hoje chamamos Universidade teve uma missão monolítica, a saber, gerar e difundir conhecimento. Embora alguns reitores, senão muitos, até hoje, definam a Universidade como um estabelecimento encarregado da pesquisa, do ensino e de extensão, ou seja, caracterizam a Universidade não pelos seus fins, mas pelos meios mais frequentemente utilizados, um grande progresso foi alcançado quanto à compreensão da sociedade da sua importância para a civilização.

Após quarenta anos de proselitismo de muitos cientistas e outros intelectuais, parece que algumas verdades se tornaram finalmente “auto evidentes”. Hoje todos reconhecem que sem uma capacitação tecnológica não há desenvolvimento econômico, como também que sem atividade de pesquisa em Ciência não há tecnologia e inovação. Como consequência desse enlace incontestável, concluímos que sem Universidades de qualidade não há desenvolvimento econômico e social.

Pois bem, enfrentemos a trágica realidade. A avaliação da qualidade da Universidade de maior credibilidade, aquela denominada “Times higher education” (The), examinou as 400 melhores do Mundo, classificando a USP entre a 225ª e a 250ª e a UNICAMP entre as 300ª e 325ª. Ou seja, apenas duas Universidades brasileiras se colocam entre as 400 melhores e assim mesmo apenas depois da 225ª. Mas a humilhação é ainda muito maior quando a comparação é feita com Universidades de países em desenvolvimento (Reuters). O Brasil não tem nenhuma Universidade entre as 10 primeiras e apenas uma entre as 20 primeiras, enquanto a Turquia, por exemplo, com um PIB que é 1/3 daquele do Brasil tem 3 Universidades entre as 10 primeiras e 5 entre as 20 melhores. Entre as 100 melhores o Brasil tem à sua frente seis outros países em desenvolvimento, a saber, China, Taiwan, Índia, Turquia, África do Sul e Tailândia. Não é uma vergonha? A razão é que a Universidade Brasileira se tornou um organismo em que quem decide não são os neurônios, mas as células do tecido adiposo.

Resta-nos, pois, nada senão a tentativa de identificar as razões deste fracasso. Alguns vão dizer que é falta de apoio de governos. Não conheço um projeto qualificado que tenha ficado sem apoio financeiro. Conheço sim vários projetos medíocres que apenas desperdiçam recursos preciosos. O desempenho de nichos de excelência no Brasil e de pesquisadores brasileiros no exterior mostra que aptidão para a pesquisa não falta ao Brasileiro. Concluímos, portanto, que é possível que a razão fundamental para a mediocridade da Universidade Brasileira seja a Gestão. Vamos pois comparar as características institucionais das Universidades Brasileiras com aquelas das Melhores, no quadro abaixo.

Universidades Brasileiras

Universidades de Qualidade

1)    Estabilidade prematura devido à condição de Funcionário Público 1)    Estabilidade precária e só no fim de carreira
2)    Conselho Universitário corporativo, gigantesco 2)    Trustee Conceils, ou seja, conselhos de gestão formados por lideranças da comunidade local, i.é, representantes da sociedade civil, externos à Universidade
3)    Processo de escolha de dirigentes por eleição interna, corporativismo e fisiologismo 3)    Escolha de dirigentes por comitês de busca com maioria de membros externos
4)    Proliferação de comissões e comitês. Autoridade e responsabilidade diluídas 4)    Limitação a um número mínimo de comissões e seu poder decisório
5)    Instituição Estatal 5)    Instituição privada ou autarquia independente

Uma solução mantendo-se a administração direta é impossível por motivos óbvios. Temos que o modelo de “Organização Social” já testado com sucesso no setor de pesquisas pelo MCTI, e que tem características de gestão idênticas àquelas das Melhores Universidades do Mundo, é sem dúvidas uma opção interessante, restando-nos, contudo, indagar, até como forma de estimular, ampliar o debate e provocar o aprofundamento da reflexão, que alternativas mais, nesse campo, poderiam ser engendradas com possibilidade de sucesso no resgate da Universidade Brasileira.

Créditos de imagem: imagens.usp.br

Procedimentos Gerais de Participação no Debate “Polêmica na Blogosfera” Os temas serão propostos, em formato de texto-base, por iniciativa da coordenação do Blog RCCL, por sugestão de seus convidados ou por proposição dos leitores. Cada tema deverá versar sobre tema atual relacionado com questões cruciais de políticas públicas ou de outras áreas do saber e de interesse da sociedade. Para cada tema em debate, a Coordenação do Blog RCCL convidará debatedores especialistas e outras pessoas interessadas familiarizadas com a questão, para animarem a discussão pronunciando-se sobre o texto-base. A participação é livre e ampla e franqueada democraticamente a todos os interessados no tema em discussão, e será mediata pela coordenação do Blog RCCL. A apresentação de cada tema será feita, preferencialmente, em forma de texto escrito de maneira clara e sucinta contento até cinco mil caracteres. As intervenções dos debatedores deverão seguir o mesmo procedimento descrito no parágrafo anterior através do seguinte endereço eletrônico: contato@rogeriocerqueiraleite.com.br

 

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