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O colonialismo gera para suas vítimas um processo de lavagem cerebral. Este é seguido por uma estrutura mental que se chama subdesenvolvimento. A burrice primeiro se instala no cérebro, depois se expande para o espaço exterior, disfarçada de cultura. Pensar nessa condição, sofre dupla interferência: (a) os outros, – a que se passa a cultuar – nos convencem que pensam sempre melhor; (b) a partir daí, não se pode aventurar um caminho próprio.

A literatura corrente chama o portador de estrutura mental do subdesenvolvimento pelo termo “neocolonizado”. O neocolonizado não acredita nas evidências postas pela vida, mas apenas naquilo que o colonizador lhe diz. Por exemplo, “a ganância privada é mais eficaz que a gestão pública”. Divisas como essa podem ser listadas às centenas, porque o neocolonizado é como as mulas que engolem cocaína, em algum lugar têm que botar para fora o que colocaram para dentro. Defende assim o mito da globalização segundo o qual já teriam acabado os Estados-nação. Não observa que o Estado dele está acabando por causa das políticas que importa… Todos os colonizadores continuam tendo sua própria nação, enquanto ele – triunfalmente – acaba por aí com dois passaportes…

Seu governo, enquanto isso, maximiza a burrice: (1) câmbio flutuante, com vai-vém (porta “cowboy”) de capitais; (2) regime de metas de inflação, em que a política do governo vê-se pressionada pelo tomate e pelo chuchu (porquê não a vagem, se ela subiu mais?); (3) metas para o “superávit fiscal primário” (…) Ou seja, o inverso micropolítico da ação keynesiana: você reserva dinheiro para garantir a ausência de risco dos emprestadores e com isso eleva – é óbvio – os juros futuros.

Oferecer aos mercados financeiros uma prova sólida de que você merece confiança é como emprestar a pistola para ser assaltado. Não se aplicam políticas – ou não se deve aplicar – fabricadas pela outra parte interessadamente. Não aplique no seu cachorro a injeção de sabão inventada pelo seu vizinho. Se a coisa é tão boa, por quê ele não aplica no cachorro dele?

É sempre barato experimentar às custas alheias. Se o superavit fiscal é doutrina tão excelente, por quê não aplicam nos EUA, na Alemanha, ou na Nova Zelândia (a mãe da criança)?

É evidente que os mercados financeiros trabalham exclusivamente para materializar  os seus ganhos – na mão e na contramão – e não há porque chorar por isso. Deixam depois os “desequilíbrios” gerados para cada governo local que se tornou vítima resolver. Outra não é a situação do Brasil. Basta se olhar para variáveis como “formação bruta de capital fixo” ou “renda real paga ao trabalho” para compreender o fiasco das políticas econômicas ensinadas pelos “muy amigos”… Criadas lá fora e aplicadas aqui dentro, tais políticas apitam: “amigos, amigos, negócios à parte”…

Créditos de imagem: revolvernamaodomacaco.zip.net

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