Em Artes, Destaques

Maubert é o nome de uma pequena e alegre praça, bem no meio do “Quartier Latin”, ao lado do antigo prédio da “Polytechnique”, a poucos passos do “College de France”, da “École Normale”, da Sorbonne, do Museu de Cluny, do Instituto Poincaré, etc. Talvez por isso mesmo não parece reter a memória de seu passado lúgubre como hospedeira de cadafalso para execuções públicas da Paris Antiga. Nas alegres manhãs dos sábados acolhe a diminuta praça uma festiva feira. Lá encontramos verduras, frutas, “gourmandises” de toda espécie, além de vestimentas baratas, sebos de livros antigos e, mais recentemente, e por paradoxal que seja uma banca com objetos de Arte Africana. Não são estes, daqueles produzidos para turistas que encontramos em “shoppings” e aeroportos, embora por vezes realizadas por competentes artesãos, mas destituídas de qualquer conteúdo histórico, artístico, ou espiritual.

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Não muito distante, em Saint Germain-des-Prés, nas proximidades do caisdos “Grands Augustins”, encontram-se seis ou sete galerias de prestígio especializadas em Arte Africana.

Enquanto na Feirinha da Praça Maubert os preços de oferta variam entre 250 e 1.600 euros para diferentes objetos, na região “nobre”, em Saint-Germain os valores vão de 5.000 a um milhão de euros. Um destes antiquários relata o faturamento do semestre: 132 peças, totalizando seis milhões de euros (R$ 18 milhões, uma média de R$ 136.000,00 por peça). Uma única peça, uma estatueta Kwele alcançou 971.950 euros em leilão da Sotherby e uma máscara Chowke foi leiloada por 420.000 euros na Christie’s neste mesmo período.

O que impressiona não são os valores elevados, pois no passado recente houve peças vendidas a estes preços, mas a quantidade de “negócios” nestas alturas, o que demonstra o avassalador ressurgimento da Arte Tradicional Africana.

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Antes de tentarmos entender a diferença entre os preços das peças aparentemente autênticas da feira de Maubert e aquelas das galerias de prestígio e de leilões da Sotherby, Christie’s, etc., é preciso esclarecer os conceitos de autenticidade e de antiguidade, específicas para a Arte Africana.

Créditos de imagem: catracalivre.com.brparisandbeyond-genie.blogspot.comlucasratton.com


Foto principal que ilustra este artigo: da mostra “Gênese e Celebração: Coleção de peças africanas do acervo de Rogério Cerqueira Leite”, que reúne cerca de 200 peças de diversos formatos artísticos, como esculturas, máscaras e objetos de materiais de madeira, marfim, entre outros que estiveram expostos no espaço da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre os dias 10 de novembro e 28 de janeiro de 2013.

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