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Nas duas últimas semanas, foram divulgados novos números para a disputa eleitoral em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás.

(1) Em síntese — (1º.) a reeleição de governadores parece ser a ideia-força em dois estados — São Paulo e Santa Catarina — beneficiando os governadores Geraldo Alckmin/PSDB e Raimundo Colombo/PSD, respectivamente; (2º.) As oposições estaduais demonstram poder de voto no Rio de Janeiro (somando cerca de 3/4 das intenções de voto), na Bahia e no Ceará; e, (3º.) Há um relativo equilíbrio de forças nos estados do Rio Grande do Sul e de Goiás, com dois candidatos polarizando a disputa e os demais apenas figurando no certame eleitoral. (2) A competição interpartidária é muito forte nos pleitos pelos governos estaduais e nenhuma legenda predomina na disputa regional:

• Quatro partidos aparecem como favoritos — o PSDB lidera com folga em São Paulo; o DEM, na Bahia; o PMDB, no Ceará; e o PSD, em Santa Catarina;

• Há disputa entre duas legendas no Rio Grande do Sul (entre PT e PP) e em Goiás (PSDB e PMDB); e,

• A confusão está instalada no Rio de Janeiro…

(3) Na disputa presidencial, Dilma lidera com muita vantagem na Bahia (48%) e no Rio Grande do Sul; e com boa margem no Rio de Janeiro (35%). A disputa é apertada em Goiás (Dilma 31% versus Aécio 26%) e há empate (em 25%) em São Paulo. Não dispomos de dados para as demais unidades da Federação.

(4) É muito expressiva a taxa de eleitores que não optaram por nenhum dos candidatos a governador: em GO (15%), SP e RJ (23%), RS (24%), CE e SC (33%), BA (35%).

Na disputa presidencial, a taxa nacional de eleitores sem preferência é de 27% dos entrevistados; taxa de alienação eleitoral é um pouco menor na Bahia (24%) e tecnicamente semelhante em Goiás (28%).

(5) O quadro das disputas regionais:

São Paulo • Os paulistas avaliam positivamente o governo de Geraldo Alckmin (46%). E a reeleição do governador tem o apoio de metade do eleitorado (54%) — e a taxa de rejeição é de 19%. Se os seus adversários não forem bem sucedidos na propaganda em rádio e TV (que se inicia em agosto), Alckmin poderá vencer no primeiro turno.

A oposição ao tucano é muito frágil eleitoralmente. Paulo Skaf/PMDB tem 16% da preferência eleitoral, mas é rejeitado por 20% do eleitorado. Alexandre Padilha/PT, tem 4% de intenções de voto e rejeição de 26%. Os demais candidatos somam 4% de intenções de voto. Sem preferência eleitoral: 23% dos paulistas. (pesquisa Datafolha/TV Globo, 17/7/2014).

Na disputa presidencial, Aécio Neves avançou em São Paulo — no estado, “Dilma e Aécio aparecem empatados, com 25% das intenções de voto. O tucano ganha da presidente na capital (com 28% contra 23%) e na região metropolitana, com 26% contra os 24% de Dilma. A disputa no interior do estado continua apertada, com 25% das intenções de voto para Dilma, um ponto a mais do que para Aécio (24%). (O Globo, 19/7/2014).

Antes da divulgação desta enquete do Datafolha, analistas políticos afirmavam que pesquisas próprias da campanha de Paulo Skaf constatavam “forte desgaste do petismo no estado de São Paulo, inclusive na região metropolitana”. Para Kennedy Alencar, como “entre os paulistas o antipetismo cresceu a olhos vistos, acertadamente Aécio joga fichas em São Paulo para tentar decidir a eleição. Nesse contexto, o desempenho fraco de Alexandre Padilha (PT) e a queda de Paulo Skaf (PMDB) sinalizam dificuldades para a presidente no maior colégio eleitoral do país. A batalha de São Paulo será um desafio para Dilma e Lula terá de gastar muita sola de sapato com Padilha”. (blog do Kennedy, 17/7/2014).

Mas as taxas de desaprovação dos governos petistas são o grande empecilho ao crescimento eleitoral de Dilma e Padilha, em São Paulo:

QUADRO: Avaliação negativa de Governo (Ruim+Péssimo)

Datafolha (15-16/7/14) Dilma Rousseff Fernando Haddad
Brasil 29%
Estado de São Paulo 39%
Município de São Paulo 43% 47%

Fonte: Datafolha / Folha de S. Paulo, 25.7.2014.

Rio de Janeiro • a oposição estadual é forte e o resultado eleitoral é incerto. O principal motivo é que somente 19% dos fluminenses aprovam o governo de Luiz Fernando Pezão. Quanto às preferências eleitorais, Anthony Garotinho/PR empata com Marcelo Crivela/PRB (24%). Em outro patamar — e também empatados — estão Pezão (14%) e Lindberg Farias (12%). Os demais candidatos somam 3% de intenção de voto. E 23% não têm candidato. (pesquisa Datafolha/TV Globo, 17/7/2014).

Nas presidenciais fluminenses, Dilma está em melhor situação que em SP: tem 35% de intenções de voto, superando Aécio (17%). No Rio, o Pastor Everaldo empata com Eduardo (6%).

Bahia • a oposição baiana predomina na disputa pelo governo estadual: na pesquisa Ibope (divulgada dia 23), Paulo Souto/DEM tem 42% das intenções de voto; Lídice da Mata/PSB (11%), Rui Costa/PT (8%) e os demais têm 4%. Não definiram preferência eleitoral: 35%.

A taxa de rejeição de Paulo Souto é de 18%, a mesma de Rui Costa (18%); Lidice da Mata é rejeitada por 20% do eleitorado. A administração do governador Jaques Wagner é positivamente avaliada por 29% dos entrevistados [Ótima (6%) e Boa (23%)]; Regular: 39%; e negativamente avaliada por 27% (Ruim: 10%; Péssima: 17%). [G1, 23/7/14].

Para a presidente da República, os baianos preferem Dilma Rousseff (48% das intenções de voto). Aécio Neves tem 15%, Eduardo Campos (8%) e o Pastor Everaldo, 3%. Os demais têm 2%. Sem preferência eleitoral: 24%. (blog de Fernando Rodrigues, 24/7/2014).

Ceará • a seção regional do PMDB é muito forte e o senador Eunício Oliveira (PMDB) tem 44%, na pesquisa do Ibope/TV Verdes Mares—rede Globo (divulgada em 22/7/2014). Os demais candidatos: Camilo Santana/PT (14%), Eliane Novais/PSB (6%) e Ailton Lopes/PSOL (3%). Não optaram por nenhum dos candidatos: 33%.

Rio Grande do Sul • na disputa estadual gaúcha, consolida-se a polarização entre Ana Amélia Lemos/PP, com 37% das intenções de voto e o Governador Tarso Genro/PT (com 31%). Os demais somam 8%. Eleitorado sem preferência: 24%. Genro (29%) e Lemos (11%) também têm as maiores taxas de rejeição.

Um dos problemas de Tarso é a avaliação de seu governo — Ótimo + Bom: 32% / Ruim + Péssimo: 28% / Regular: 38%. As áreas mais problemáticas: Saúde (77%), Segurança Pública (44%) e Educação (41%). [pesquisa Ibope—RBS / G1,19/7/14].

Para a eleição presidencial: Dilma tem 41% das intenções de voto, Aécio Neves, 23% e Eduardo Campos, 6%. (Zero Hora/Agência PT de Notícias, 21.7.14).

Santa Catarina • 40% dos catarinenses querem reeleger o governador Raimundo Colombo/PSD (que é rejeitado por 13% do eleitorado). Há fragilidade eleitoral na oposição, que soma 27% de intenções de voto: Paulo Bauer/PSDB tem 10%, Cláudio Vignatti/PT 6%. Afrânio Boppré/PSOL 4% e os demais pretendentes somam 7%. Não têm candidato: 33% dos eleitores. (pesquisa Ibope/RBS, 16/7/2014).

Goiás • há empate entre o governo estadual e a sua oposição. O governador Marconi Perillo/PSDB é candidato à reeleição e tem a preferência de 42,7%. A oposição totaliza 42,4% — Iris Rezende/PMDB, com 26,6%; Vanderlan Cardoso/PSB, 8,9%; Antônio Gomide/PT, 4,9%; e os demais candidatos somam 2%. Sem preferência eleitoral: 14,8%. Para a eleição presidencial, 31,1% dos goianos são pela reeleição de Dilma Rousseff; Aécio Neves tem 26,3% das intenções de voto. Eduardo Campos tem 10,3%; o Pastor Everaldo, 3,1%; e os outros candidatos somam 1%. Não têm candidato à Presidência 28,2% dos goianos. (pesquisa Veritá, 14/7/2014).

(6) Para finalizar • as duas principais notícias econômicas da semana mereceram o seguinte comentário publicado no blog de Kennedy Alencar: “A medida anunciada pelo Banco Central para aumentar a oferta de crédito foi um dos temas do [programa] ‘SBT Brasil’ de sexta, 25/7/14. O governo se surpreendeu com as previsões de que o crescimento econômico deste ano será menor do que 1%. Ao liberar 45 bilhões de reais para ampliar a oferta de crédito, a presidente Dilma Rousseff tenta salvar um pouco do crescimento de 2014. E busca reverter o clima de pessimismo que dificulta a sua reeleição. O outro assunto foi a mensagem enviada pelo Banco Santander a clientes afirmando que o sucesso eleitoral de Dilma pioraria a economia. A presidente deixou a resposta para a sua campanha à reeleição e para o PT. Assim, tira o assunto do governo e dá um caráter eleitoral à avaliação, com a comparação ao que aconteceu nas eleições de 2002 quando a Goldman Sachs criou o ‘lulômetro’. Mas a avaliação do banco reflete de maneira mais franca a torcida do mercado financeiro contra Dilma. E isso preocupa o governo, porque estimula um pessimismo que pode esfriar ainda mais a economia”. (blog de Kennedy, 25/6/2014).

 

Créditos de imagem: blogs.estadao.com.br

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