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Hoje Irã, no passado, Pérsia, é um país com uma história respeitável. Um palácio com ar condicionado central operando com energia renovável, construído por volta de 1750, há cerca de 260 anos, portanto, e funcionando até hoje. Movido a energia solar. Fora do palácio, 45°C, dentro, entre 28 e 30°C. Um cilindro oco de três metros de diâmetro e uns 20 metros de altura, em argamassa, na posição vertical, com as paredes externas aquecidas pelo sol, atuava como uma imensa chaminé, o mesmo princípio que permite que a fumaça da churrasqueira suba e não invada a área do banquete. Todo mundo sabe que o ar quente, mais leve, expandido, sobe. Devido às dimensões do cilindro, uma forte corrente de ar se estabelece em direção à extremidade (boca) inferior do cilindro. Modernamente, este efeito tem sido usado, ainda experimentalmente, para mover uma hélice e gerador colocados na extremidade superior do tubo ou no seu interior.

No caso do palácio persa, a água de um pequeno riacho é usada para criar uma lâmina d’água sob a boca do cilindro. O folheto oferecido pelo governo local explicava. O vento passando pela superfície da água se esfriava, porque a água estava fria e distribuía este frio pela casa. Besteirol. Em primeiro lugar porque a água do riacho vinha de fora, onde a temperatura era elevada. Para entender o que está acontecendo, comecemos com uma piscina ou lâmina d’água à temperatura ambiente, em ambiente fechado, sem vento na superfície. A uma temperatura diferente de zero absoluto, as moléculas de água estão em movimento. A distribuição de energia de movimento (dita cinética) permite que aquelas com maior energia escapem e passem a habitar o espaço livre (evaporação). Por outro lado, as moléculas com maior energia serão capturadas na superfície. Dizemos que há um equilíbrio dinâmico. A soma das energias das moléculas que saem é igual à soma das energias das moléculas que entram na água. Quando há um vento na superfície da lâmina d’água, as moléculas energéticas que acabaram de escapar da água são removidas e o equilíbrio se rompe. Moléculas mais energéticas continuam escapando e sendo removidas das proximidades da superfície da água. Como consequência, a energia média das moléculas d’água que estão no líquido, é reduzida, ou seja, a temperatura da água cai.

No recinto do palácio haverá um corpo, a água da lâmina d’água a baixas temperaturas, o que contribuirá para a redução da temperatura de todo o palácio.

Os engenheiros (ou seriam físicos) persas colocaram dois fenômenos físicos razoavelmente conhecidos à época, um desde Arquimedes, o “ar quente sobe” e a “evaporação esfria” para elaborar este engenhoso sistema de acondicionamento do ambiente usando apenas o sol como fonte de energia. Não são expertos estes iranianos?

Créditos de imagem: commons.wikimedia.org

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