Em Destaques, Vida Nacional

É preciso deixar claro de início que o surto de Coxinoplasia aguda atual do Brasil é um fenômeno atípico, embora já tenha ocorrido algumas vezes no passado. Uma das mais violentas e perniciosas dessas epidemias acossou a burguesia brasileira nas décadas de 40, 50 e 60 e é identificado pela sigla UDN. Em primeiro lugar é preciso saber que Coxinha não é uma espécie, mas um gênero com várias espécies. O coxinha é um protozoário oportunista. Fica latente no seu hospedeiro durante anos. Quando este fica deprimido ou com seu sistema imunológico abatido por um acidente econômico qualquer, o coxinha prolifera e se espalha tornando-se uma ameaça para o hospedeiro enfraquecido.

Abaixo descrevemos algumas das espécies mais abundantes. A taxonomia do gênero todo ainda não está cientificamente estabelecida, embora a atividade de pesquisas sobre sua toxicidade seja intensa.

Para melhor compreensão dos leitores damos um exemplo específico de indivíduos de cada espécie:

  1. coxinha Vulgaris. Um espécime de coxinha Vulgaris é o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Nunca se exalta, nasceu coxinha embora se faça passar por esquerda festiva. Só manifesta sua virulência quando o opositor está, ou parece estar, moribundo. É essencialmente um oportunista. Seu veneno neurotóxico, agindo lentamente e provocando morte vegetal em suas vítimas.

  2. coxinha Splendeum é aquele que gosta de um palanque. Seu narcisismo o faz tomar posições extremas. Um exemplo de coxinha Splendeum é o agora amansado deputado Carlos Sampaio. Uma característica dessa espécie é a falta de fôlego. Da mesma forma que sobem, caem. Seu veneno é hemolítico. Causa pústulas no local. O perigo é de gangrena.

  3. coxinha Terribilis. Esta espécie transpira ódio. É visceral. Não se contém. Ataca furiosamente a presa, ou melhor, o hospedeiro. Transgride todos os limites da civilidade e da ética. Exemplo de coxinha Terribilis é o Senador Aloysio Nunes. O comportamento do coxinha Terribilis é semelhante ao de um cão hidrófobo, em que os indivíduos saem mordendo por todos os lados, enfurecidos, a baba escorrendo da boca, os olhos vermelhos, injetados. Usam, alguns deles, como armas, panelaços, palavrões, enfim, parecem loucos desvairados.

  4. coxinha Elegans. Esta espécie tem um comportamento mais suave. É narcisista. Finge civilidade. Morde delicadamente. Mas a infecção resultante é muito difícil de debelar. Tende a se tornar permanente. O hospedeiro morre de tédio e de profunda depressão. Exemplo marcante de coxinha Elegans é o futuro Prefeito de São Paulo João Doria, que, como ninguém, sabe usar aquele suéter de grife nos ombros. Almofadinha, porém, peçonhento.

Ilustrações: charges do ilustrador Vitor Teixeira.

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Rogério Cerqueira Leite
Físico, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Showing 23 comments
  • Maria José Reale Pereira
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    Aecio Neves e José Serra ainda estão sem classificação?
    Que os estudos continuem professor!

    • Zenilde Moreira
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      Parabéns Prof. Rogério pela excelente Sistemática Zoocoxinha. Como Zoóloga espero que estes estudos prossigam. Apenas a título de contribuição, devemos escrever o gênero com letra maiúscula e a espécie com letra minúscula . Ex. Coxinha elegans.

  • Maria Luiza A. Curti
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    E um detalhe, todos os tipos não toleram ser identificados como “coxinha”. Babam de ódio quando nomeados, seja qual for a categoria, passam para o Terribilis em segundos.

  • Mariza
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    É saudável o que escreve, me faz bem a alma flui e revigora. Que venham muitos, quero te ler todos as manhãs, todas as horas. Abraços

  • Miguel Daniel Neto
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    Acompanho o Sr. Rogério Cerqueira Leite há mais de 30 anos. Tenho inúmeros artigos seus, guardados entre meus pertences. Admiro-o, muito pela clareza e objetividade de seus artigos. Este de hoje, é genial!

  • neumir
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    Sensacional!!! Continue!!!

  • Silvia
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    Ótimo! Muito bem descritos! Só que não suportam serem chamados de coxinhas! Babam ódio..

  • Joana horta
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    Faltou o coxinha popularis, ou seja, o povo comum. Parece com o terribilis. É viral tambem.

  • Bruno Santos das Neves
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    Mais uma grande oportunidade de não expressar tantas bobagens perdeu esse sujeito de nome rogério. Que chama um Juiz Federal de parcial quando ele mesmo (Rogério) é puramente cego e parcial quando trata dos bandidos seus amigos. Por isso a educação no brasil é motivo de piada, com professores como este sujeito não podemos esperar muito.
    Aguardo comentários sobre a tese da prisão de Eduardo Cunha.

  • Iracema Serra Azul
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    Parabéns pela excelente análise, elegante, criativa e com muito bom humor. Uma verdade através de bela metáfora.

  • Ana Angélica
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    Concordo com Joana: faltou o coxinha, gente comum, embora com duas sub ordens: o coxinha classe média e coxinha pobretão evangélico.

  • hb cwb
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    Meu entendimento e uso do termo coxinha é um pouco diferente. Considero coxinha aquele ser que independente do seu grau de instrução, formação e classe social, que por ignorância, desconhecimento, convivência ou comodidade se deixa influenciar ou é convencido a agir como inocente útil ou massa de manobra de uma mídia, de grupos ou de indivíduos que são pautados ou são ferramentas de uma direita raivosa, fascista e por grupos que têm interesses contrários aos das brasileiras e brasileiros.
    Os seres que tem conhecimento e noção de seus atos e mesmo assim agem por interesses próprios, interesses de terceiros ou por puro oportunismo não considero coxinhas.
    Para estes tenho outras classificações, variando conforme envolvimento, objetivo ou participação, sendo: golpista, bandido, ladrão, lesa pátria, entreguista, golpista oportunista, representante dos golpistas, traidor e muitos outros; alguns destes seres ignóbeis podem se encaixar em diversas classificações.
    Seres como: FHC, Carlos Sampaio, Aloysio Nunes, João Dória, não considero coxinhas, pois tem pleno conhecimento, servem ao golpe e também se servem do golpe, estes devem ser denunciados e conhecidos por seus graves crimes, para no futuro serem responsabilizados e justamente punidos por seus atos criminosos.
    Estas novas classificações elencadas descritas são plenamente válidas e ainda acrescentaria:
    coxinha Arrependidus: que viu tardiamente as cagadas que cometeu e se arrependeu.
    coxinha Trouxinius: que não percebe que foi inocente útil ou aquele que tem um pequena noção das cagadas cometidas, mas insiste em continuar.
    Respeitosamente.

  • Adélia Favacho
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    Texto bem explicado e Joana horta, concordo com você, o coxinha popularis não foi agraciado no texto.

  • mauricio sollet
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    Professor poderia utilizar seu tempo e sua inteligência e conhecimento para ensinar seus alunos que lhe pagam para isso e não ficar escrevendo baboseiras que nada acrescenta ou enriquece.

  • Helena
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    Também senti falta do Aécio e do Serra. Parabéns e continue Rogério C. Leite.

  • Marcos Viana Bomfim
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    Professor Rogério!
    Como a taxonomia na biologia dos seres reacionários facultativos é dinamica, segue o relato de descoberta de uma nova espécie: o/a Coxinha transmutans.
    Esta espécie tem como representante clássico a psolista Luciana Genro. Essa espécie pertence a outra reino distinto dos coxinhas, portanto, com filo, classe, ordem, família, gênero e espécie diferente. Em situações de auto favorecimento guiado pela sede de substrato de poder a qualquer custo eles subvertem o próprio metabolismo político para adaptação a ambientes saprófitas desprovidos de ética e moral. Parabéns pela organização e sistematização dessas espécies teratogênicos e patogênicas!

  • Rita
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    Há um dito que diz: Acuse-os daquilo que você é. Está aí, é só beber suas palavras.

  • José Roque
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    Maravilha apesar das derrotas e desencantos o humor está de volta. Professor, me permita falta classificar o lá das repúblicas curitibanas aquele que gosta de holofotes e também é chegado a bajulações. Observo que é uma espécie banal e muita antiga, mas é difícil de classificar.

  • ivan de castro duarte martins
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    sou coxinha mas sou feliz, é mais coxinha que me diz!

  • Cida
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    Os estudos precisam se aprofundar, quero entender de como essa epidemia popularis se alastrou, dizem que tem haver com globo. Me explica ai teacher haaha.

  • Silviamar
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    Considero esse artigo que deve ter dispendido muito tempo a reflexão, um desvio de maturidade, rotular as pessoas sem levar em consideração que num regime democrático há que se levar em conta a diversidade de pensamento. Mas levando a sério , vejo nisso uma perda de tempo visto que a maioria das pessoas age conforme seus interesses e suas histórias de vida.Quem quer fazer a diferença e não esta a pensar em likes, nos oferece trabalhos reflexivos e nos oferecem um pensamento positivo como saída num caos interpretativo. É muita prepotência sair rotulando pessoas. Pura bobagem de nossos tempos. Um professor é sempre um exemplo, mas alguns são exemplo de que? Levar o aluno a pensar….não fazer a cabeça, isso sim é um exemplo de professor nota dez !

  • Sharle Edson Capeletti
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    Excelente!

  • Angelo
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    Nossa! Que perda de tempo professor!
    Há um jeito muito mais fácil pra explicar este gênero, usando uma fórmula do primeiro grau:
    COXINHAS = TODOS – PETISTAS
    Agora aguardo uma super análise para destrinchar o gênero “mortadelas”. DICA: é só colocar no lugar de PETISTAS na fórmula acima e resolver a equação.

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