Em Destaques, Sem papas na língua

Harpias, metade mulher, metade abutre, infernizavam impiedosamente os justos da mitologia grega, até leva-los à loucura.

Atribuem as harpias da imprensa brasileira, à Presidente Dilma Rousseff a responsabilidade solitária da compra de uma refinaria de petróleo nos EUA quando foi Presidente do Conselho Administrativo da Petrobrás. Pois bem, se tais críticos tivessem algum conhecimento da lei das S.A. saberiam que o Presidente do Conselho não tem sequer esta autoridade. Apenas o Colegiado. E o Presidente é obrigado a encaminhar a decisão do Conselho. Portanto, se alguém foi culpado de omissão ou qualquer outra transgressão é o Conselho de Administração da Petrobrás, que inclui importantes empresários nacionais, alguns que inclusive têm atestado a pertinência da aquisição.

O espanto dos leigos, que, aliás, tem sido explorado com maliciosa eficiência pelas harpias, decorre da diferença de preços entre a aquisição pela Astra Oil e a venda subsequente à Petrobrás. Raciocinamos como se valores de mercado de empresas fossem calculados a partir do patrimônio. Estão atrasados meio século. Hoje o valor de uma empresa é definido principalmente pela expectativa de lucro futuro. À época da aquisição da refinaria americana pela Astra Oil, o refino permitia uma margem de apenas US$1 a US$2/barril. Quando foi vendido à Petrobrás esse valor havia subido para US$ 12.00/barril. Essa diferença de margem explica a disparidade de valores de mercado entre as duas aquisições. Além do mais, o petróleo pesado brasileiro, não alcançava preços rentáveis no mercado norte-americano, incapaz de refiná-lo. Havia, portanto, uma razão estratégica para que a Petrobrás adquirisse uma refinaria americana, e a adaptasse para o petróleo brasileiro.

O que permanece criticável na operação é a resistência da Petrobrás em adquirir a segunda metade da refinaria e com isso consentir no aumento de custos devido a multas e custos de litígios. Todavia, a essa época, a Presidente Dilma Rousseff já não estava no Conselho de Administração da Petrobrás. As harpias, pelo menos neste caso, estão sendo injustas. Mas não é para isto que harpias e outros abutres existem?

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