Em Sem papas na língua, Vida Nacional

Ao contrário da tônica dominante dentre os ministros que foram escolhidos para discursar na abertura do renovado Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), o de derrota e conformismo com a crise, a Ministra de Agricultura, Katia Abreu, deu uma demonstração de otimismo e esperança no porvir do Brasil. E para isso foi açoitada. É preciso entender que agourentos como outros parasitas vivem, se alimentam da desgraça. O que seria dos dentistas se não existisse a carie? O que seria dos economistas se não existisse depressão econômica? A penicilina foi um desastre para a renda dos médicos. Pois seja. A ministra Kátia foi possivelmente tão hostilizada pelo ministro Chefe da Casa Civil, Jacques Wagner, possivelmente apenas porque infringiu a regra dominante, ser catastrófica. Foi expulsa da mesa aonde seu nome se encontrava, por ter-se adiantado e assumido o seu espaço antes de ser chamada para a mesa. Qualquer coordenador que tenha um mínimo de educação, de civilidade, a teria acolhido e se acomodado. Em seguida, o ministro da Casa Civil convoca a ministra para falar e ela já começando a sua palestra, é obrigada a interrompê-la. Ora, o erro foi do Sr. Wagner e a ordem de apresentações era irrelevante, arbitrária. Sem se satisfazer com estas agressões, o ministro da Casa Civil apressa a expositora em várias ocasiões e acaba por interrompê-la abruptamente. Dizem que o Sr. Wagner é um político “jeitoso”. Podem dizer o que quiserem. Só não podem dizer que o Sr. Wagner é um gentleman, nem mesmo que seja um homem educado.

Às vezes uma simples contabilidade revela tudo. Para o Conselhão foram convidados 47 empresários ou dirigentes de associações empresariais, mais que 50% dos membros do Conselhão, 29 dirigentes de sindicatos e corporações, 2 religiosos, alguns poucos economistas e apenas 4 autênticos representantes da “Inteligência” brasileira. Não estavam lá representantes da Academia de Ciências e da Academia Brasileira de Letras. Além do mais os poucos representantes acadêmicos que compareceram ao Conselhão foram colocados nas últimas fileiras, nos mais distantes lugares, os párias da sociedade. Quem representasse mais dinheiro ficaria nos melhores lugares. Aliás, quem falou primeiro foi o Bradesco. Nenhum cientista, nenhum acadêmico, nenhum intelectual foi ouvido.

Ou seja, o Brasil, poderia dizer-se, dispensa a própria Intelligentzia, mesmo quando esta não é confundida com qualquer preconceito elitista.


Imagem: diariodonoroeste.com.br

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