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Negócio seguinte: numa eleição como esta, não há ‘bala de prata’. No sentido de definir seu voto por uma única razão.

Ficam amigos me questionando se as denúncias da Petrobras não me fariam votar no Aécio. Não. Porque meu voto é definido por muitos fatores:

  1. No caso da corrupção, não me parece que as acusações ao PT – que geralmente são apuradas, e exploradas a granel na mídia – sejam mais graves do que as dirigidas ao PSDB, as quais são silenciadas;
  2. Quanto a má gestão ou gestão temerária, a administração da USP sob o reitor escolhido por José Serra, contra a vontade da maioria da universidade, está sendo chamada de temerária pelos próprios ex-pro-reitores do mesmo; isso para não falar do panorama paulista em termos de falta d’água e de deficiências na educação, saúde, transporte e segurança públicos;
  3. Quanto a políticas sociais, o PT continua sendo o melhor para conduzi-las;
  4. Quanto à economia, que é o grande argumento tucano, o problema que vejo no PSDB é que ele sempre tem a mesma receita, para qualquer circunstância: reduzir as despesas estatais (inclusive gastos sociais), aumentar juros, flexibilizar o trabalho etc etc.

Eu poderia concordar que uma ou mais destas medidas, em determinadas circunstâncias, são as melhores. Mas o receituário é sempre o mesmo, ou próximo de.

Com isso, não pretendo convencer os amigos tucanos a deixarem de votar em seu preferido. Mas gostaria pelo menos que eles entendessem que a decisão política não se toma com base num único ponto, ainda mais quando este único ponto é o que eles elegem, descartando os demais.

Na verdade, o respeito à opinião alheia está nisso: reconhecer que os valores são múltiplos. Não há uma questão única. Não nesta eleição.

Por Renato Janine Ribeiro, professor-titular de Ética e Filosofia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).


Créditos de imagem: studioclio.com.br

 

 

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