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A morte de Eduardo Campos colocou a Política como prioridade na pauta do noticiário nacional. A postulação presidencial de Marina Silva alterou o quadro sucessório. E a nova pesquisa Datafolha de Agosto registrou as mudanças imediatas que a tragédia e o fator Marina provocaram na disputa eleitoral.

As intenções de voto permaneceram as mesmas, tanto para Dilma Rousseff (36%) quanto para Aécio Neves (20%) e mesmo para o Pastor Everaldo (3%). Marina Silva (21%), a novidade, entrou na disputa em 2º. lugar, em empate técnico com Aécio.

O Datafolha afasta “a hipótese de conclusão da eleição no primeiro turno […], porque Marina surgiu com quase o triplo das intenções de voto em Campos (8%), porém sem provocar alteração nas taxas dos rivais mais competitivos”.

Marina, o novo fator — Eduardo Campos marcava apenas 8%, na penúltima enquete de opinião eleitoral. Marina chegou capturando — principalmente — os votos do eleitor desalentado com a oferta de candidaturas que o sistema político tornava disponível. Assim, os números que representavam o desinteresse, o desânimo, o desencanto, a alienação eleitoral caíram de 27% para 17%, em benefício da Marina Silva (que cresceu 13 pontos percentuais, na comparação com o quadro anterior; o restante, 3 pontos percentuais, parece ter sido extraído das intenções de votos dos demais sete postulantes presidenciais).

Marina também demonstra força eleitoral em um eventual 2º. turno contra Dilma Rousseff (bem ao contrário do que acontece com Aécio Neves, que parece estabilizado). O Datafolha registrou empate técnico, com vantagem para Marina : 47% a 43%. Para o diretor do instituto, Mauro Paulino, “quando apresentados ao possível cenário de segundo turno entre Dilma e Marina, os moradores das capitais e regiões metropolitanas dão uma vantagem de 13 pontos à ambientalista. Separando-se apenas as cidades com mais de 500 mil habitantes, sua dianteira chega a 20 pontos. São os locais onde se concentram em maior proporção a insegurança, o pessimismo e o desencanto”. (FSP, 18/8/14).

A situação de Dilma — o governo de Dilma Rousseff tem, hoje, a aprovação de 38% dos entrevistados e a reprovação de 23% (um saldo positivo de 15 pontos percentuais). Foi uma melhora significativa, na comparação com os dados da pesquisa Datafolha de julho, quando 32% dos eleitores aprovavam a administração petista, contra a reprovação de 29% dos entrevistados (um saldo positivo de apenas 3 pontos percentuais).

Melhoraram os índices de aprovação do governo nas regiões Norte (de 40% para 51%) e Sudeste (de 24% para 32%). Mas continuam negativas as avaliações em importantes unidades federativas, como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná:[/vc_column_text]

Avaliação do Governo de Dilma Rousseff nos Estados

Estados Taxa de Aprovação (%) Taxa de Reprovação (%) Saldo = 1 – 2
(Em pontos percentuais)
SP 24 35 – 11,0
MG 34 26 + 08,0
RJ 24 29 – 05,0
RS 38 24 + 14,0
PR 31 33 – 02,0
CE 55 11 + 44,0
PE 39 21 + 18,0

Fonte: Folha de São Paulo (17/08/2014).

A taxa de rejeição continua sendo um fator de preocupação para os partidários da reeleição da Presidente, pois Dilma tem 34% de rejeição; Aécio Neves, 18%; Pastor Everaldo, 17%; e Marina, 11%.

Sanduíche de Aécio — é significativa a fragilização da candidatura de Aécio Neves, neste momento da conjuntura. Dois cenários indicariam este fenômeno: (A) numa eventual hipótese de Marina não participar da eleição presidencial, “Dilma venceria a eleição já no primeiro turno com 41% (oito pontos a mais que a soma de seus rivais). Mas o percentual de eleitores sem candidato continuaria alto: 13% de brancos e nulos, 12% de indecisos”. (B) “Contra Aécio, Dilma venceria o segundo turno por 47% a 39%. Nesse caso, os oito pontos de diferença representam uma ampliação da vantagem da petista, pois em meados de julho, o cenário era de 44% a 40% (empate técnico)”. (FSP, 18/8/14).

E se a disputa direta contra Dilma não é favorável para Aécio, a situação também é adversa no confronto com Marina: a Folha de S. Paulo acredita que Marina “ainda não alcançou o teto de sua candidatura no primeiro turno. Em abril último, após exposição na mídia, ela chegou a 27% das intenções de voto. Hoje, no cálculo de seu potencial, há 8% de brasileiros que ainda não a escolhem, mas demonstram alta simpatia por seu nome. Em relação a Aécio, essa taxa é de 6%”. (18/8/14).

Enfim, embora pareça restrito o espaço de crescimento da candidatura de Aécio Neves, o comentarista político Luiz Carlos Azedo avalia que “não está dado a priori que Marina Silva será herdeira de toda a comoção gerada pela morte de Eduardo Campos, embora se beneficie por ter sido a sua companheira de chapa. O mais provável é que recupere os próprios votos, que até agora não havia conseguido transferir para Eduardo Campos. Em fevereiro passado, Marina tinha cerca de 20% dos votos, mas vinha numa trajetória descendente. […]. A única certeza é de que há um quadro eleitoral novo, no qual se consolida a realização de segundo turno para decidir quem será o próximo presidente da República. Por hora, há dois projetos de poder claramente delineados: a continuidade do governo Dilma, de um lado; e a volta dos tucanos ao Palácio do Planalto, com Aécio Neves, do outro. A chamada “terceira via”, com a morte de Eduardo Campos (PSB), ainda é uma incógnita como projeto de poder, não importam as pesquisas. Somente deixará de ser quando Marina Silva, que cultiva certo messianismo, disser o que pretende fazer para desenvolver o país e melhorar a vida do povo, caso seja eleita presidente da República”. (Correio Braziliense, 17/8/14).

Passada a comoção, necessariamente a candidata Marina será obrigada a se manifestar sobre suas propostas de política social, desenvolvimento econômico, política externa, etc. Até o momento o que se assistia em termos de propostas das candidaturas com chances reais de vitória, mesmo que vagas, eram duas posições bem distintas para enfrentamento do cenário de baixo crescimento, inflação no teto da meta e quadro externo instável: o atual governo propondo uma política econômica de ajustes graduais e a da oposição que prevê um realinhamento de preços públicos (tarifaço) e uma reforma fiscal.

Vale destacar que antes de aderir ao PSB as propostas de Marina, no campo econômico, eram bem próximas da ortodoxia pregada pelos representantes do “mercado”…. A conferir.


Créditos de imagem: radarnoticias.com

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