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O primeiro mandato de Dilma Rousseff terminará em Dezembro. O bimestre que antecede a nova posse da Presidente será preenchido com intensas negociações políticas para a composição do futuro ministério.

O problema é o contexto conflagrado em que se insere esta operação de governo. Empresários, Parlamentares, Sindicalistas e outras lideranças da Sociedade Civil — utilizando as mídias, os partidos e entidades outras — lutam para influenciar as decisões estratégicas que o Governo deverá adotar, antes do início de 2015.

Dilma tenta ordenar o processo, pautando-o pelos temas principais que defendeu durante a campanha reeleitoral: a reforma política, a retomada do crescimento da economia (focado na preservação/incremento de emprego e renda), a defesa da soberania nacional.

Mas há óbices à construção do bloco político que dê suporte sólido ao programa de governo que a Presidente deseja para o segundo mandato. O epicentro da crise localiza-se no Congresso Nacional, onde o governismo atravessa período turbulento, em função: da diminuição do número de deputados federais eleitos pelos partidos da base de apoio; das divisões político-eleitorais que levaram à ruptura com o PSB; do acirramento do ‘racha’ interno do PMDB, com a bancada de parlamentares desta legenda dividindo-se entre as candidaturas de Dilma Rousseff e de Aécio Neves.

Assim, imediatamente após a vitória eleitoral, Dilma voltou a conviver com a “chantagem” que, habitualmente, é feita por sua base parlamentar, que decidiu revogar o decreto que sistematizaria a participação popular no processo de elaboração de políticas de governo.

Além disto, são esperados novos impactos políticos vindos do Poder Judiciário, onde continuam em pauta as “denúncias premiadas” relativas ao “caso” Petrobras, que poderão provocar novas baixas entre as forças políticas do bloco de governo.

Na área econômica o cenário não é menos complexo, com o quadro interno de baixo crescimento, com as contas do governo apresentando resultados negativos mensalmente, a inflação estável porém acima da meta estipulada pelo próprio governo, a pressão dos acionistas das Petrobrás por aumento dos preços dos combustíveis, além da questão tarifária do setor elétrico. No quadro externo, o pós-eleição foi marcado pelo fim dos estímulos ao crescimento econômico nos EUA, fato que indica um possível  aumento da taxa de juros por lá, que impactará  o fluxo de capitais em escala global em detrimento dos países emergentes.

Para fazer frente a essa conjuntura econômica e tentar reverter às expectativas negativas que pairam no horizonte econômico, o governo, via Banco Central, “surpreendeu” a sociedade com um aumento da taxa de juros básica da economia (Selic). Essa medida, que “agradou” o mercado financeiro, despertou a curiosidade da sociedade em torno das discussões sobre o futuro ministro da Fazenda que, ao que tudo indica, pelos nomes especulados até o momento, virá de um espectro mais ortodoxo, talvez conflitando, no primeiro momento, com as assertivas da Presidente eleita que reafirmou seu compromisso com o crescimento econômico.

Por enquanto assistimos às especulações. O que não é mais especulação é a crise hídrica que atinge fortemente o estado de São Paulo, que já afeta a produção (industrial e agrícola) e logo mais trará reflexos sobre a inflação, sem uma perspectiva de solução em curto prazo.


Créditos de imagem: averdade.org.br

 

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