Em Destaques, Vida Nacional

1 – Gilmar Mendes e suas companhias…

Por Carlos Newton

A promiscuidade institucional no Brasil é algo estarrecedor. Apesar da repercussão altamente negativa da carona que pegou no avião presidencial para viajar a Portugal, o ministro Gilmar Mendes aceitou novo convite do presidente Michel Temer na noite deste domingo, dia 22, e foi recebido em jantar no Palácio do Jaburu. No encontro, que não constava na agenda oficial do presidente, os dois tiveram “conversas de rotina”, de acordo com a assessoria de imprensa do ministro do Supremo, que é também presidente do Tribunal Superior Eleitoral, responsável por julgar o processo de cassação do chefe do governo, por crimes eleitorais cometidos pela chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, na eleição de 2014.

Na tarde de domingo, em Porto Alegre para participar do velório e sepultamento de Teori  Zavascki, o ministro Gilmar Mendes almoçou com o ministro-chefe da Casa Civil e um dos homens fortes do governo Temer, Eliseu Padilha, que responde a vários processos, está com bens bloqueados e foi citado na delação da Odebrecht como operador do caixa dois do PMDB, que recebia propinas em dinheiro vivo.

Promiscuidade – Fica demonstrado, mais uma vez, que as autoridades brasileiras não se importam nem mesmo em manter as aparências. Pelo contrário, fazem questão de exibirem sua promiscuidade, ao arrepio da lei, pois o Código de Processo Civil determina que magistrados não podem atuar em processos do interesse de parentes e amigos.

No caso de Gilmar Mendes, ele admite publicamente ser amigo de Temer há mais de 30 anos. Mesmo assim, não se considera suspeito para atuar no julgamento da chapa Dilma/Temer.

E ainda se relaciona intimamente com um elemento nebuloso como Eliseu Padilha, réu em vários processos, acusado inclusive de grilagem de terras públicas e devastação de 1,3 mil hectares de reserva ambiental no Mato Grosso, com bloqueio de bens e apreensão de 18 armas de fogo em sua propriedade rural, inclusive fuzis de mira telescópica.


PS
Como dizia o grande jornalista e historiador Capistrano de Abreu, para consertar o Brasil é fácil. Basta que a Constituição tenha apenas dois dispositivos: “Art. 1º – Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário”. Infelizmente, a sugestão dele não foi aceita. (C.N.)

Tribuna da Internet[http://tribunadainternet.com.br/]:23/01/2017.

 

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Carlos Newton. Jornalista.

 

2 – Os três amigos

Por Alex Solnik

Vi ontem no “Fantástico” uma cena que poderia ser apenas “um encontro de amigos de 30 anos”, num final de tarde de domingo, como o próprio texto narrou, se os três amigos não fossem quem são – Michel Temer, presidente da República; Moreira Franco, um de seus ministros mais íntimos e o ministro do STF, Gilmar Mendes – e o momento não fosse um dos mais delicados da vida nacional, três dias depois da morte do ministro relator da Lava Jato, Teori Zavascki, que estava para homologar delações de diretores da Odebrecht, que envolvem Temer e Moreira Franco, este sob o apelido “Angorá” em denúncias de corrupção.

Foram filmados na varanda do Palácio do Jaburu, em trajes esportivos, aparentemente alheios à crise que tomou conta do país depois que o avião em que Teori viajava caiu no mar, suscitando suspeitas em grande parcela da população, desconfiada de que houve um atentado, apesar das evidências apontarem em outra direção.

Temer e Gilmar são reincidentes. Em viagem recente ao velório do ex-primeiro ministro de Portugal, Mário Soares, o presidente da República deu “carona” no avião presidencial ao ministro do STF que é também presidente do TSE, onde corre o processo de cassação da chapa Dilma-Temer.

Agora o caso é ainda mais grave. Discute-se quem irá herdar a relatoria da Lava Jato. Já se chegou ao consenso de que a presidente do STF Carmen Lúcia deverá redistribui-la entre os colegas atuais por sorteio. Mendes, portanto, pode ser o escolhido.

Os três amigos não deram a menor importância ao dispositivo da Constituição que determina a separação dos Três Poderes e afrontaram a opinião pública com a sua falta de pudor.

Não dá para Temer nem Gilmar afirmarem, dessa vez, que estavam apenas jogando conversa fora.

Video do encontro: http://bit.ly/2kocMLz

Brasil 247[http://jornalggn.com.br/]:23/01/2017.

 

 

 

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Alex Solnik. Jornalista.

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