Em Análises e Reflexões, Destaques

Talvez o mais universal de todos os besteiróis universais é aquele que deriva de diferentes usos de dimensões de coisas vivas e mortas. É inacreditável a quantidade de besteiras que se dizem, tanto leigos quanto cientistas, ou melhor, pseudo cientistas, à respeito de coisas pequenas e grandes.

Todos nós já vimos expressões de admiração e perplexidade à respeito da imensa força física de formigas e besouros capazes de carregar dez, cem vezes o seu peso, de grilos e pulgas que pulam a altura cem vezes a sua. E comparem essas façanhas com o que os homens fazem. Em paralelo, quem já não viu esses filmes em que aranhas caranguejeiras ou formigas saúvas ficam do tamanho de elefantes, geralmente graças à ambição de um cientista maluco descabelado.

Ora, digo eu e vou provar, se uma arranha, mantidas suas proporções próprias, tiver o tamanho de um elefante, ela não conseguirá se mover e será, certamente, esmagada pelo seu próprio peso. E um grilo, apesar de seu exoesqueleto deformado das pernas traseiras não será capaz de andar, muito menos pular.

E a explicação já está na obra maior do Renascimento, Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, de Galileu Galilei, que nos ensina que enquanto o peso ou o volume de um corpo cresce com o cubo (terceira potencia) de uma dimensão linear do corpo a superfície ou uma secção qualquer cresce com o seu quadrado. Ora, a força muscular de um animal qualquer é proporcional à secção transversal ao esforço do músculo em questão. Até halterofilistas são capazes de entender isso. Assim, se uma formiga aumenta a sua altura por um fator de 10, sua força muscular vai aumentar cem vezes (o quadrado de 10), mas seu peso será 1.000 vezes maior (o cubo de 10). Portanto, para que uma saúva, pesando 0,1 grama, fique do meu tamanho (100 Kg) e possa erguer o mesmo peso que eu ergo, tem que ser mil vezes mais forte do que é atualmente.

Os exoesqueletos, que caracterizam artrópodes em geral, insetos e aranhas em particular, são inadequados acima de um certo tamanho de animal, pois não permitem a formação de alavancas como os esqueletos que possuímos, nós os mamíferos e outros vertebrados. Mas a natureza é sábia e para a s dimensões e o habitat dos insetos, etc. não é necessária grande força e a proteção contra predadores proporcionada pelo exoesqueleto se torna mais importante.

Vejam, portanto, quanta besteira se fala por aí, inclusive com esses alienígenas em forma de inseto. E que imenso besteirol nesses documentários de TV, inclusive os da National Geographic e da Discovery.

Créditos de imagem: nemo-ramjet.deviantart.com

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