Em Destaques, Vida Nacional

CONTEXTO – A partir de meados de 2013 uma série de previsões sobre o comportamento futuro da economia brasileira começou a ganhar destaque na grande imprensa. Em comum, todas indicavam dias muito difíceis no futuro próximo (2014) com estimativas que indicavam recessão e descontrole inflacionário já para os primeiros meses do ano. O ápice do pessimismo previa o rebaixamento do “rating” da dívida brasileira com a consequente fuga em massa do investimento estrangeiro, caminhávamos para o caos. E isso tudo em ano de eleições presidenciais.

Quase chegando ao final do primeiro semestre de 2014, o que podemos constatar é: se a situação não é de estabilidade na economia, o caos também está muito longe, mesmo com o rebaixamento da dívida e com algum sobressalto nos preços. A economia não apresenta resultados exuberantes, mas o suficiente para manter um nível de emprego de fazer inveja a muitos países desenvolvidos.

A variável que continua a influir decisivamente nas análises continua sendo o pleito presidencial de outubro próximo e para a política econômica especificamente as propostas apresentadas, até aqui, continuam vagas e as previsões “assustadoras” agora são voltadas para 2015 e os analistas com  mais acesso ao noticiário diariamente alertam, mesmo que subliminarmente, para o cuidado que teremos que ter na hora de votar.

A SEMANA – Nesse cenário, a OCDE divulgou as novas projeções econômicas para 2014. Estima em 3,4% o crescimento da economia mundial. A China (7,4%) e a Índia (4,9%) puxam a expansão, mas as outras grandes economias funcionam como freios: EUA (2,6%), Japão (1,2%), Alemanha (1,9%).

Para o Brasil, a entidade projeta crescimento do PIB de 1,8%, em linha com o pessimismo vigente no país. Números recentes do IBGE confirmariam a tendência: a indústria  acumulou alta de 0,4% no primeiro trimestre do ano (e em 12 meses, até o mês de março/2014, o crescimento foi de 2,1%).

Os números desanimadores são acompanhados pelas críticas dos empresários à política econômica de Dilma. Reunidas pelo jornal Valor Econômico, em 5/5/14, lideranças de classe expressaram seus desejos de mudanças: “O presidente a ser eleito em outubro terá de enfrentar, de uma vez por todas, os impasses estruturais do país, fazer as reformas política e tributária, dar prioridade ao investimento em infraestrutura e educação, promover a retomada do crescimento da indústria, incentivar a inovação, controlar a inflação e, para tudo isso, buscar um consenso político. Em resumo, essa é a receita que os melhores executivos do país prescrevem para o próximo mandato presidencial, qualquer que seja o eleito”.

Outro tema econômico na berlinda é a inflação. Se a expansão econômica deverá ser medíocre, o comportamento dos preços tendeu – até aqui – à exuberância, com destaque para o item alimentação. Em abril, no acumulado do ano, a Cesta Básica/DIEESE aumentou em todas as 18 capitais pesquisadas. “Com base na cesta mais cara, o Dieese calculou em [mais de R$ 3 mil] o salário mínimo necessário para as necessidades básicas de um trabalhador e sua família. O valor é [cerca de] 4 vezes o mínimo oficial (R$ 724)”. (Rede Brasil Atual, 8/5/14).

As perdas salariais causadas pela aceleração inflacionária dos produtos essenciais – somadas a insatisfação popular com relação à baixa qualidade dos serviços públicos – têm provocado uma crescente mobilização de massas, expressa em manifestações de rua com críticas dirigidas à queda na qualidade de vida nas urbes e marcadas por reivindicações várias.

Tabulações da Policia Militar de São Paulo dão algumas indicações sobre este fenômeno. O levantamento da PMSP contabilizou 185 atos públicos na cidade de São Paulo, nos primeiros quatro meses de 2014. Os protestos relativos às políticas públicas (Habitação, Segurança, Infraestrutura, Transportes, Educação, Cultura, Saúde) respondiam por cerca de metade do total: 47%. As questões trabalhistas motivaram 23% das manifestações, enquanto as mobilizações de caráter político ou orientadas à reivindicações ligadas aos direitos civis (Contra a Copa Mundial de Futebol, Política, Gênero, Raça, Liberdade de Expressão) somaram 12% (na matéria publicada em ‘O Estado de S. Paulo’ – de 7/5/2014 – as causas desconhecidas ou não-especificadas representavam 18% do total).

Durante a semana passada, mobilizações organizadas por sindicatos e por movimentos sociais impactaram o cotidiano das populações de uma dezena de regiões metropolitanas com greves, trânsito paralisado, invasões diversas, depredações. Presente em São Paulo, na ocasião, Dilma Rousseff improvisou e abriu espaço em sua agenda para receber lideranças dos movimentos sociais.

A postura receptiva da Presidente coincide com a mudança tática que ela vem operando, em maio. Os motivos são conhecidos e foram reiterados na nova pesquisa Datafolha divulgada em 9/5/14: apenas 35% dos entrevistados apoiam sua gestão e a intenção de voto pró-reeleição estacionou em 37%. Complicando ainda mais a situação, 74% dos participantes da enquete querem que “as ações do próximo presidente sejam diferentes” das implementadas pelo atual governo. E somente 15% dos entrevistados consideraram Dilma Rousseff como a candidata mais adequada para implantar as mudanças que o eleitor deseja.

Além de atravessar um período crítico junto à opinião pública, Dilma segue sob pressão no Congresso Nacional, pois é intensa a batalha em torno das comissões  parlamentares de inquérito – três foram criadas, mas nenhuma ainda foi instalada – e também enfrenta o momento de maior conflito no processo de composição das alianças partidárias e regionais que antecedem a oficialização das chapas que disputarão as eleições de 2014.

Créditos de imagem: chapa3atitude.com.br

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