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Minissérie narra vida e trajetória de D. Pedro Casaldàliga, de São Félix do Araguaia (MT)

A TV Brasil apresentou nos dias 13, 20 e 27 de dezembro a minissérie Descalço sobre a Terra Vermelha. Em três episódios com 52 minutos, a produção conta a trajetória de vida do bispo emérito de São Félix do Araguaia, o catalão Dom Pedro Casaldàliga. O religioso é uma figura emblemática, tanto na Espanha quanto no Brasil, por sua incansável luta em favor dos desfavorecidos da região do Mato Grosso, no Centro-Oeste brasileiro.

Baseada na obra homônima de autoria do escritor Francesc Escribano, a série narra a relevante atuação do religioso – seja em conflitos entre latifundiários no Mato Grosso, contra o regime militar e lutando contra a miséria e opressão da população local – de forma delicada e profunda. Dirigida pelo cineasta catalão Oriol Ferrer, a obra é resultado da coprodução entre a TV Brasil, a espanhola TVE, a catalã TV3, a brasileira Raiz Produções e a Minoria Absoluta, produtora espanhola.

Em 2014, a minissérie foi agraciada com dois prêmios FIPA de Ouro na 27ª edição do Festival Internacional de Programas Audiovisuais, em Biarritz, na França. Eduard Fernández, intérprete do missionário catalão foi premiado como melhor ator. O outro reconhecimento à minissérie foi pela melhor trilha sonora original; e, de modo especial, o júri elogiou a música composta por David Cervera.

Tudo o que fiz, eu fiz convencido de que fazia o correto. Eu dou graças a Deus por ter me enviado ao Brasil. O que mais poderia querer na vida?”. A reflexão pertence a Casaldáliga ao ser indagado pelo Papa Emérito Bento XVI, na ocasião ainda cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação da Doutrina da Fé. A cena do encontro no Vaticano abre a minissérie Descalço sobre a Terra Vermelha, que retorna ao Araguaia de 1968 para onde o padre catalão foi enviado pela Igreja Católica e continua a morar até hoje. “É uma utopia, mas ela é necessária. Sem utopias, não há futuro”, comenta o protagonista com o bispo em Goiânia sobre sua missão em São Félix do Araguaia.

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Autor do livro que inspirou a série, o escritor espanhol Francesc Escribano ressalta a coragem do religioso. “Ele vai para uma região afastada de tudo, uma realidade de trabalho escravo e onde não há nenhum direito para os indígenas”, explica o também jornalista e professor universitário que veio ao país para a pré-estreia da produção no Brasil, em São Félix do Araguaia, no início de dezembro.

No elenco, o espanhol Eduard Fernández atua no papel do padre Casaldáliga. A minissérie tem ainda a participação de atores brasileiros como Babu Santana, artista que está brilhando nos cinemas ao protagonizar o filme sobre o músico Tim Maia. Na atração exibida pela TV Brasil, ele encarna o pistoleiro “Boca Quente”. Destaque ainda para o ator Eduardo Magalhães vive o barqueiro Josué enquanto a atriz Cristina Lago interpreta a prostituta Rosa.

Pedro Casaldáliga nasceu na província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928, e vive no Brasil desde 1968. Ingressou na Congregação Claretiana em 1943, sendo ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Foi nomeado administrador apostólico da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) no dia 27 de abril de 1970. O Papa Paulo VI o nomeou bispo prelado do município em agosto de 1971.

Dom Pedro já sofreu inúmeras ameaças de morte, e por cinco vezes, durante a ditadura militar, foi alvo de processos de expulsão do Brasil, por seu engajamento nas lutas camponesas. Ao completar 75 anos, Dom Pedro Casaldàliga foi sucedido em São Félix por Dom Frei Leonardo Ulrich Steiner, mais tarde transferido para a Arquidiocese de Brasília como bispo auxiliar. Para a Prelazia foi nomeado Dom Adriano Ciocca Vasino.

Episódio 1 – Do Vaticano ao Araguaia: D. Pedro Casaldàliga é chamado ao Vaticano para ser sabatinado na Congregação para a Doutrina de Fé diante dos cardeais Ratzinger e Gantin. Em 1968 Casaldáliga e seminaristas chegam a São Félix. Desde seus primeiros contatos na Prelazia, Casaldáliga se conscientiza de que esta terra é tão bela quanto perigosa, e que as pessoas tiveram que se acostumar com a violência e a miséria como sendo algo natural em suas vidas. Logo sentirá na pele as dificuldades: terá que enterrar crianças, posseiros mortos que pistoleiros abandonam no rio e testemunhar o assassinato de Edmilson, um posseiro que tinha ido à igreja para pedir ajuda. (Ver vídeo – http://bit.ly/1wrXNd2).

Episódio 2Por uma Igreja da Amazônia: Bispo lança manifesto pelos indígenas e contra a exclusão social – Para tentar entender as pessoas e as questões importantes da região do centro oeste brasileiro, Casaldàliga se relaciona com todo mundo, até mesmo com os latifundiários e com os poderosos, até que um dia decide deixar de fazê-lo. O ponto de virada ocorre em uma festa na casa de um fazendeiro, onde foi convidado a celebrar uma missa. Ao testemunhar a ostentação de riqueza e fartura por parte do anfitrião e dos convidados, torna-se insuportável para alguém que viu a pobreza e a privação absoluta predominante na região, conviver com as duas realidades tão díspares. Depois daquele dia, Casaldàliga rompe todas as relações com essa gente de poder econômico e político, e o anuncia a todo o povo durante uma missa na igreja. As consequências decorrentes de sua postura serão dramáticas. (ver vídeo – http://bit.ly/1HNrc8g)

Episódio 3Ameaça de morte: Bispo precisa enfrentar fazendeiros e o Exército – Fazendeiros oferecem prêmio para quem matar Casaldàliga e começam a se movimentar para tentar desacreditá-lo, com a intenção de fazer com que a Igreja e o governo o expulsem do país. Nos anos posteriores, os enfrentamentos com os fazendeiros são constantes. Todas as tentativas de expulsá-lo e iliminá-lo fracassam. O Vaticano, porém, decide ordená-lo bispo em 1971. (Ver vídeo –http://bit.ly/1A6an6V)

Fontes da informação: EBC e TV Brasil.


Créditos de imagem: ebc.com.brquemtemmedodademocracia.com

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