Em Conjuntura Internacional, Destaques

Por Nadia Prupis

Mesmo tendo prometido em 2009 eliminar os subsídios públicos para a indústria de combustível fóssil, os países do G20 negligenciaram essas promessas e estão atualmente gastando US$88 bilhões por ano em dinheiro do contribuinte para financiar a descoberta de novos depósitos de gás, carvão e petróleo ao redor do mundo, de acordo com um novo relatório publicado pelo Instituto de Desenvolvimento Além Mar e a Oil Change International.

O documento, intitulado “O Resgate de Combustível Fóssil: G20 Subsidia para Exploração de Petróleo, Gás e Carvão”, descobriu que essas explorações têm riscos de consequências devastadoras para as economias mundiais e para o aquecimento rápido do planeta. E com U$88 bilhões ao ano, esses estados estão gastando mais que o dobro, para procurar novas regiões para fazer o drill, do que as top 20 companhias privadas de petróleo e gás – com dinheiro do contribuinte.

Enquanto os poços existentes secam, a descoberta de reservas em áreas mais remotas se tornou caro. Em 2013, as top 20 companhias de gás e petróleo mundiais investiram apenas U$37 bilhões em exploração de reservas de petróleo, gás e carvão.

“Os subsídios de exploração dos governos do G20 casam com a má economia com consequências potencialmente desastrosas para a mudança climática,” escrevem os autores do documento Elizabeth Bast, Shakuntala Makhijani, Sam Pickard e Shelagh Whitley. “De fato, os governos estão sustentando o desenvolvimento das reservas de petróleo, gás e carvão que não podem ser exploradas se o mundo pretende evitar perigosas mudanças climáticas.”

Esses países estão criando o que o relatório chama de “cenário de perda tripla“: a) investimento em ativos de carbono que podem causar efeitos climáticos catastróficos; b) desvio de fundos para alternativas de energia como solar, hidro e eólica; c) subestimar perspectivas para um acordo climático efetivo e em larga escala ano que vem.

A escala na qual os países do G20 estão subsidiando a busca por mais gás, óleo e carvão – através de subsídios nacionais, investimentos por estatais e exploração financeira pública – não é consistente com os objetivos acordados sobre a remoção de subsídios para combustível fóssil ou com objetivos climáticos acordados, e é crescentemente não-econômico,” diz o documento.

A promessa de 2009, conhecida como Acordo de Copenhagen, reconhece que qualquer aumento na temperatura global deveria ser abaixo de 2 graus célsius. Mas o acordo foi não-vinculativo – e alguns de seus autores, incluindo os EUA, Brasil e China, estão entre os maiores apoiadores financeiros da exploração de combustível fóssil global. Manter o aumento de temperatura global até 2 graus célsius requereria deixar quase dois terços das reservas inexploradas no solo.

“Sem o apoio do governo para exploração e subsídios maiores para os combustíveis fósseis, porções do desenvolvimento atual do combustível fóssil seriam não-lucrativos,” diz o relatório. “Direcionar a finança publica e o gasto público para um setor que não é econômico, nem sustentável, representa uma loucura dupla…
Globalmente, subsídios para a produção e uso de combustíveis fosseis foram estimados em $775 bilhões em 2012.”

Os EUA se tornou o maior produtor de petróleo e gás natural, ultrapassando até Rússia e Arábia Saudita. Gasta mais de U$6 bilhões anualmente em exploração domestica e internacional, a maioria com deduções de imposto, e o Congresso rejeitou todos os planos para repelir essas quebras desde que Obama foi eleito, escreve o relatório.

Mas a administração Obama “também se vangloria do boom atual de gás  e óleo como o centro de sua estratégia energética “Todas as opções acima”, a qual foi a maior precursora do aumento dos valores dos subsídios em combustível fóssil,” de acordo com o relatório. E algumas das maiores companhias de gás e óleo do mundo, como a Exxon-Mobile, Chevron e BP, “são as que mais se beneficiam com os subsídios de exploração.”

O tamanho exato do apoio público, no entanto,  é difícil de confirmar, porque subsídios específicos para companhias individuais são considerados nos EUA “informação confidencial“.

De acordo com o relatório, cada dólar de subsidio de energia renovável tem um retorno de U$2,5 em investimentos, comparado com U$1,3 em retorno de cada dólar em subsídios ao combustível fóssil.

“Mesmo com a percepção disseminada que os renováveis custam mais, nossa pesquisa revela que buscar novas reservas de combustível fóssil está custando quase U$88 bilhões em subsídios de exploração pelo G20,” disse Whitley. “Demolir esses subsídios começaria a criar um nível entre renováveis e combustível fóssil.”

Publicado em Carta Maior: http://bit.ly/1HpGEtJ

Nadia Prupis, Common Dreams. Tradução: Isabella Palhares


Créditos de imagem: caciquepromotora.com.br

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