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No Brasil, a FVG e a CNI-IBOPE monitoram as expectativas de consumidores e do empresariado.

Tendencialmente, registra-se uma deterioração das expectativas, há algum tempo.

Os quatro indicadores divulgados em Agosto retratam o fenômeno; na comparação com julho: (1) O Índice de Expectativa do Consumidor/CNI-Ibope, caiu 1,1%; (2) O Índice de Confiança da Indústria/FGV: queda de 1,2% entre julho; (3) O Índice de Confiança do Comércio/FGV (calculado trimestralmente) declinou 7,3% no trimestre encerrado em agosto, ante o mesmo período de 2013; (4) E, o Índice de Confiança de Serviços/FGV (com ajuste sazonal) registrou queda de 3,1%.

Um dos fatores na origem deste clima de maior pessimismo está expresso em outros dois dados divulgados no mês:

Primeiro, o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas, que – em julho – registrou alta de 12,9% na comparação com junho/14. Na comparação com julho/13, a alta fora de 11,4%;

Segundo, o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor de julho, verificou-se uma elevação moderada da inadimplência mensal: alta de 4,0%, na comparação com junho; mas, na variação anual – julho de 2014 contra o mesmo mês de 2013 –, o crescimento foi de 11,0%.

O quadro de desalento certamente determinou o desempenho de Dilma Rousseff, nas enquetes eleitorais.

A mais recente pesquisa do instituto Datafolha (divulgada em 29/8/14) – além de constatar um novo e expressivo crescimento das intenções de voto em Marina Silva – registrou uma estagnação da candidatura reeleitoral:

  • Cerca de um terço (34%) dos eleitores optou pela reeleição de Dilma. Desde as manifestações de Junho, as intenções de voto na Presidente situam-se na faixa dos 30-40%;
  • Oscilou para baixo a taxa de avaliação positiva (soma dos conceitos ‘Ótimo’+’Bom’) da gestão Dilma Roussef: de 38% para 35%;
  • A taxa de rejeição de Dilma manteve-se elevada, passando de 34% para 35%;
  • A reeleição de Dilma também enfrenta outro sério problema: o eleitor está manifestando crescente demanda por mudança –’a taxa de desejo de mudança (79%) está três pontos acima da identificada na pesquisa anterior’, diz o UOL.

Esta situação da candidata do PT poderia ter evoluído positivamente, a partir da veiculação da obra do Governo Dilma na TV, no horário da propaganda política. Contudo, ao menos até aqui, não foi o que ocorreu.

Mesmo que consiga sustentar-se nesta faixa de um terço (das intenções de voto, da avaliação positiva da gestão e – mesmo… – quanto a taxa de rejeição), Dilma Rousseff dificilmente sairá vitoriosa em um eventual segundo turno.

O motivo é a pequena diferença existente entre o piso e o teto das intenções de voto da candidata. É o que se verifica quando comparamos as intenções de voto espontâneas (27%) vis-à-vis às intenções de voto estimuladas (34%). O mesmo acontece no cotejo das intenções de voto do 1º. Turno (34%) contra as intenções de voto do 2º. Turno (40%).

O fato é que este baixo teto da candidatura de Dilma Roussef restringe as chances de vitória do projeto da reeleição.

Por isso, parece que as estratégias de campanha da Presidente foram reordenadas: os ministros da República fizeram presença nesta semana, respondendo diretamente às críticas feitas por oposicionistas – Guido Mantega, José Eduardo Cardoso, Gilberto Carvalho posicionaram-se. A mídia também falou na mobilização do segundo escalão federal, para articular apoios regionais.

Se a sucessão presidencial colocou Dilma Rousseff na berlinda, a estagnação da economia brasileira – registrada nos números do IBGE sobre o Produto Interno Bruto (PIB) – completou o cerco político da candidata.

Com uma redução de 0,6%, no segundo trimestre do ano, o PIB do Brasil experimenta duas quedas consecutivas do nível de atividade econômica, já que números revisados pelo IBGE apontaram queda também no primeiro trimestre (0,2%).

Apesar da queda não muito intensa, o clima eleitoral amplifica as discussões de uma possível recessão técnica, negada pelo IBGE e autoridades federais, enquanto a oposição e grande parte da imprensa amplificam esses resultados negativos aumentando um pouco mais o clima de pessimismo em relação à economia nacional.

Enquanto isso pouco destaque é dado às propostas, mesmo que vagas, de enfrentamento da estagnação da economia formuladas pelas principais coligações que disputam o pleito de outubro.

Existe convergência para a necessidade de ajustes que revertam as expectativas atuais e lancem as bases para uma reversão do ciclo econômico rumo ao tão sonhado crescimento autossustentado.

Das três coligações que disputam a eleição presidencial com mais chances, duas indicam, mesmo sem grandes detalhamentos, um ajuste baseado em reajustes de preços públicos (energia e combustíveis) , austeridade fiscal acompanhada de política monetária ativa (juros altos), além de política cambial de livre flutuação (sem intervenções do Banco Central) que certamente no primeiro momento derrubará o nível da atividade da economia e consequentemente provocará aumento do desemprego: também é prometida autonomia do Banco Central. Acreditam os defensores desse tipo de ajuste que, passado o primeiro impacto, a economia logo voltará ao equilíbrio e consequentemente tornará a crescer.

Já a proposta do governo atual, que almeja mais quatro anos, indica a continuidade de uma política econômica gradualista, também sem detalhamento, mas com a diferença, que é regra nos últimos 12 anos, de considerar como instrumento fundamental o mercado interno que, até aqui, foi o responsável pela minimização dos efeitos da crise da economia global iniciada em 2008.


Créditos de imagem: fef.es

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