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Por Carlos Russo Jr

Crime e Castigo”, o romance mais famoso de Dostoiévski, é ao mesmo tempo um dos mais bem escritos de toda literatura mundial. Foi feliz Marcel Proust ao escrever que todos os romances desse grande escritor russo poderiam ser denominados Crimes e Castigos, uma espécie de tributo àquele escrito que é um marco na formatação do pensamento moderno.

Quando o romance genial era tão somente anotações, desenhos, um plano, Dostoiévski enviou a um editor uma carta oferecendo-lhe a venda antecipada dos direitos autorais. Nela, traçava o esboço, quase uma resenha do futuro “Crime e Castigo”: “Será o estudo psicológico sobre um crime. Um romance da vida contemporânea. Por sua instabilidade mental, um jovem ex-universitário, completamente sem dinheiro, fica obcecado por essas ideias amalucadas que estão no ar. Resolve fazer alguma coisa que o livre imediatamente da situação desesperadora. Decide matar uma velha agiota. A velha é estúpida, gananciosa, surda e doente, pessoa sem maior valor, cuja existência é aparentemente injustificável, etc.. Todas essas considerações desequilibram o rapaz… Ele não se torna suspeito, não seria possível que suspeitassem dele, e é aqui que todo o processo psicológico do crime se desenvolve. De repente o assassino se vê frente a frente com problemas insolúveis e sensações inauditas começam a atormentá-lo. O próprio assassino resolve aceitar o castigo para espiar a sua culpa”.

Nessa fase o autor ainda via o futuro livro escrito na primeira pessoa, tal qual “O homem do subterrâneo”. Nele, o próprio Raskholnikov falaria num diário ou em formato de confissão. Mas, de alguma maneira, ocorreu uma mudança de planos que tornariam “Crime e castigo” um romance muito mais universal. Nas anotações em seu Diário, Dostoiévski registra o fato: “Farei a narração do ponto de vista do autor, uma espécie de ser invisível, porém onisciente, que jamais abandonará o herói.” “O narrador observará tudo do ponto de vista de Raskholnikov, reagirá a tudo o que ele fala e pensa, sem deixar de vê-lo do ponto de vista do mundo exterior”.

O romance foi aclimatado na Petersburgo da segunda metade do século XIX, a cidade mais fantástica do mundo na visão de Dostoiévski, onde proliferam seres estranhos e os muros das ruas e das paredes das casas se dissolvem em visões terríveis. O personagem Svidrigailov diz que “é uma cidade de gente desequilibrada, cheia de influências sombrias, cruéis e estranhas”. A cidade mais ocidentalizada da Rússia é um lugar de doenças e febres, suicídios e mortes súbitas, acidentes de ruas e brigas violentas, e em todas as partes está repleta de gente humilhada e ofendida. É também o lugar em que brota a revolta na juventude, cidade de ideias novas e incendiárias.

Leia o texto integral: http://bit.ly/1KnGtzD

Carlos Russo Jr.. Editor do Blog Espaço Literário Marcel Proust.


Créditos de imagem: bloguerreiro.com

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