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As pesquisas recentes – do Ibope (feita entre 13 e 17 de março) e do Datafolha (feita entre 2 e 4 de abril) – vão lentamente delineando o quadro da sucessão presidencial de 2014.

Elas indicam que a gestão de Dilma Rousseff vem perdendo parte de sua base de apoio, fustigada pela elevação dos preços da cesta básica, pelas insuficiências dos serviços públicos, pela perda de credibilidade política-administrativa junto às elites e às classes médias. As duas enquetes convergiram para a mesma taxa de apoio à ação governamental: apenas 36% dos entrevistados consideram ‘ótimo’ ou ‘bom’ o governo de Dilma.

O projeto de reeleição da Presidente acompanha a tendência cadente de sua popularidade e a taxa de apoio à candidata petista agora está na faixa de 38-40%. Se as pesquisas de opinião estão a indicar um desejo de mudança, as perspectivas oferecidas pelos candidatos oposicionistas não demonstram agradar ao eleitorado, pois, a despeito da queda de aceitação da candidata à reeleição, nenhum nome alternativo desponta como beneficiário dos votos perdidos por ela. Será que a questão estaria na timidez das propostas que até agora somente indicam mais do mesmo? Talvez seja necessário repensar o quadro sucessório a partir da leitura da rejeição apresentada pelos três principais candidatos, que nesse quesito estão empatados, tendo contra si um terço do eleitorado cada um.

Para reverter as opiniões negativas sobre sua gestão, Dilma precisaria ser mais eficaz em algumas políticas públicas. Mas as projeções macroeconômicas para este ano não têm permitido ao governo surfar na conjuntura: são pífias as perspectivas de crescimento econômico para 2014 (as autoridades econômicas falam em 2,5%/2,0% e o mercado financeiro, via pesquisa Focus/Bacen, sinaliza menos ainda: 1,7%); e os dados de consultorias econômicas indicam cenários preocupantes para emprego e renda, no biênio 2014/2015, com consequências negativas para o nível de consumo.

Esta semana, o governo reforçou a tendência economicamente negativa, mantendo a rota de arrocho monetário: pela 9ª. vez seguida, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) decidiu – por unanimidade – reajustar os juros básicos da economia, aumentando a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (para 11% ao ano). Quando Dilma Rousseff tomou posse, em janeiro de 2011, esta taxa estava em 10,75% ao ano. “Em agosto daquele ano, a taxa passou a ser reduzida sucessivamente pelo Copom até atingir 7,25% ao ano em outubro de 2012, o menor valor da história. A Selic foi mantida nesse patamar até abril de 2013, quando o Copom iniciou um novo ciclo de alta nos juros básicos” (Agência Brasil, 2/4/2014).

Se no âmbito da economia parece não haver perspectivas otimistas, no plano político já existem perdas a serem contabilizadas. O prejuízo desta semana foram os dois pedidos de instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) – protocolados no Congresso Nacional – requerendo investigações sobre atos administrativos originados na Petrobras. Cerca de trinta senadores e duzentos e trinta deputados federais assinaram os requerimentos, um número superior ao das bancadas de parlamentares de oposição ao governo federal.

Os articuladores políticos do Palácio do Planalto, não conseguindo evitar o encaminhamento dos pedidos de CPI dos adversários, optaram por administrar o prejuízo, requerendo outras duas CPI’s (com escopos ampliados para possibilitar investigações sobre atos administrativos de governos estaduais controlados por legendas de oposição). Até meados de abril a pendenga parlamentar deverá ser resolvida, mas a tendência será pela protelação máxima para a instalação e efetivo funcionamento da CPI. E o conflito tem potencial de ampliação, se a oposição cumprir a ameaça de judicializar o tema, recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O Poder Judiciário, hoje, já está tratando de outros dois assuntos políticos polêmicos, ambos referidos ao financiamento de campanhas eleitorais. No primeiro deles, a Justiça Eleitoral deliberou que as informações sobre os recursos financeiros doados diretamente aos partidos políticos e repassados a candidatos deverão ser transparentemente publicizados. É claro que os políticos interessados não desejam que isto ocorra e já estão em fase de mobilização parlamentar, na tentativa de flexibilizar a decisão judicial.

Finalizando, foram nas sessões desta semana do STF que esteve em pauta o outro caso relacionado ao explosivo tema das imbricações entre grana e política: entre os ministros do Supremo formou-se  uma maioria pela proibição de doações de empresas para o financiamento eleitoral. E, pela segunda vez, a votação não foi concluída, interrompida por um novo pedido de vistas que impediu a continuidade do julgamento. Mas a expectativa é que o processo encerre-se neste exercício de 2014, para que o ajuste da legislação possa vigorar a partir da eleição seguinte à deste ano. Em 04/01/2014, este mesmo tema foi abordado em texto que originalmente foi publicado neste blog sob o título: “A grana ‘que ergue e destrói’…”. (http://rogeriocerqueiraleite.com.br/2014/01/a-grana-que-ergue-e-destroi-3/ )

Créditos de imagem: jornalggn.com.br/

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