Em Conjuntura Internacional, Destaques

Por Breno Altman

Desesperados e eufóricos, o que é compreensível, setores da esquerda brasileira caem na esparrela da mídia monopolista e vibram com os ataques incendiários de ontem (31/03) ao parlamento paraguaio.
A emenda que dá direito à reeleição de Horacio Cartes é a mesma que permitiria o ex-presidente Lugo, da Frente Guasu, de esquerda, se candidatar.
Houve, sim, um acordo entre o Partido Colorado, do atual presidente, e a coalizão progressista, para candidatos de ambas formações poderem disputar as próximas eleições sem os atuais entraves.
O Partido Liberal, uma espécie de PSDB local, enlouqueceu, pois estava seguro que, sem Cartes e Lugo no páreo, sua hora triunfal chegaria.
Com o acordo, quebrou a cara. Seus parlamentares e dirigentes, furiosos, atiçaram militantes e capangas para cima do Congresso.
Não se trata de nenhuma revolta popular e não tem qualquer caráter democrático. Resume-se à política de confrontação patrocinada por uma corrente política conservadora, sequiosa por suceder outro conservador, Cartes, e que não aceita de forma alguma a participação de Lugo, atualmente líder em todas as pesquisas.
Portanto, vamos devagar com o andor. Nem sempre quando o parlamento queima a coisa é boa. Ou vamos nos esquecer do incêndio no Reichstag?

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Breno Altman. Jornalista. É diretor editorial do site Opera Mundi

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Showing 2 comments
  • Maurílio Francisco de Assis
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    Muito boa matéria ,pela mídia GOLPISTA so enganacao

  • Aluizio Palmar
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    Prezado Cerqueira Leite, cheguei até você por meio de minha amiga professora Cladice Diniz. Nesse texto sobre o Paraguai, o Breno Alltman comete u grande e lamentável equívoco. Infelizmente, ele teve uma repercussão e confundiu a cabeça de muitos amigos.
    Eu vivo a realidade política do vizinho país há quase 40 anos. Ajudei as diversas organizações que lutaram contra a ditadura do general Stroessner e conheço as lideranças, tanto as de extração colorada, como os de extração liberal.
    Por isso é que fiquei estupefato com o artigo do blogueiro Breno Altman.
    resumindo doutor Cerqueira, o que acontece é uma grande insatisfação com o governo de Horácio Carter. Essa insatisfação é potencializada na cidade de Assunção. Os paraguaios tem trauma da ditadura colorada que durou 35 anos e não aceitam que mexam na Constituição para favorecer Carter. O mega bilionário quem continuar no poder e a emenda que autoriza a releição o favorece em todos os sentidos. Esse negócio de que favorece Lugo é conto. Lugo é o bode que os colorados estão usando nesse momento.
    Sobre a rebelião, foi insensato dizer que ela partiu da direita, ou seja lá o que for. A rebelião de Assunção foi popular doutor cerqueira.Lógico que o Partido liberal radical Autêntico esteve junto da massa. Suas lideranças, que ficaram presos anos a fio nos cárceres da ditadura do general Stroeenner foram à luta. Jovens lideranças, filhos de mortos e desaparecidos, como Martin Sannemman, Boccia Paz e Goiburú estavam lá na Praça.
    Por outro lado, os deputados e senadores da Frente Guazú, permaneceram nos salões do Congresso festejando com os colorados o espúrio acordo eleitoral.
    Finalmente, esse artigo de Breno Altman é um desrespeito à memória dos que lutaram contra a ditadura no Paraguai, uma ofensa ao povo que lutou em defesa da Constituição e ao jovem Gustavo, que foi assassinado pela polícia de Horácio Carter.

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