Em Destaques, Literatura

Por Amanda Mont’Alvão Veloso

Alphaville é uma sociedade do futuro, localizada a anos-luz da Terra e comandada por um computador todo-poderoso, o Alpha 60. Todos os habitantes são iguais e não há espaço para emoções – que dirá tristeza. Alphaville é também o nome dado a um dos primeiros condomínios fechados no Brasil, localizado em São Paulo. Enquanto o primeiro Alphaville, um filme de Jean-Luc Godard de 1965, se mostra um pesadelo, o outro, inaugurado na década de 70, encarnou o sonho de consumo daqueles que buscavam qualidade de vida, conforto e segurança. Um condomínio fechado, porém, não consegue impedir a diferença e o sofrimento, e essa é uma das questões levantada pelo psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker no livro Mal-estar, Sofrimento e Sintoma (Boitempo, 416 páginas).

A tese é corajosa: por meio da psicanálise e do cinema brasileiro, o autor mostra que o ideal de condomínio é vivido também por quem não escolheu esse modelo de habitação, e são muitos os monstros criados por essa fantasia. Alguns deles, como tratar a diferença como uma ofensa pessoal, fazem com que a convivência no Brasil seja cada dia mais complicada e violenta. Por outro lado, o sofrimento fica cada vez mais reduzido a algumas formas de expressão.

Leia a entrevista com Dunker: http://bit.ly/1Iphugp

Outras Palavras: 26 de julho de 2015 (http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=183032)

Amanda Mont’Alvão Veloso. Jornalista.


Imagem: foto por Felipe Larozza.

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