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Que horror a carta de apoio de Marina Silva a Aécio Neves. Não pelo apoio, em si. Porque bem pior do que sua escolha – previsível, no fundo – foram suas palavras. Essas sim, de uma pequenez abjeta. Mas que vão gerar amplos ecos.

Disse, com todas as letras, que a permanência de Dilma é um caminho suicida para a democracia brasileira. Que o PT quer matar a diversidade nacional e confundir a identidade do país com a do partido. Uma identidade, disse ela, raivosa e vingativa.

É assim que ela quer combater a política do medo e do ódio?

Travestida de estadista, afunda-se em arrogância ao extrapolar os ataques pessoais que sofreu pela campanha e militância do PT a uma agressão ao Brasil.
Mas ela omite que também sua campanha – e também a de Aécio – apelaram para as mesmas armas de agressão e calúnia contra Dilma e o PT. Parte do jogo. Triste, mas parte.

Aproveita para levantar a bandeira da alternância de poder – como se não tivesse, de última hora, emprestado seu rosto para posar ao lado de Alckmin em SP.

E pode de fato carregar preciosos votos para Aécio. E entregar ainda mais o governo à insensibilidade e a grupos que, certamente, tem muito menos respeito à tal diversidade e valores democráticos que ela tanto enxerga ameaçados.

Alimenta o que há de pior nas possíveis motivações do eleitores. Engrossa pesado o coro de um nacionalismo vazio, acima dos partidos e despolitizado que brada por mudança – e não tem a menor ideia do que deve ser mudado. A tempestade perfeita para a ampliação insidiosa da direita no país.

Dilma está longe, léguas de ser uma presidenta que mereça a pecha de esquerda. E simplesmente não consigo minerar entusiasmo para entrar em campanha por ela. Mas o fato é que projetamos poder demais na figura da chefe do executivo. Muito mais do que ela de fato tem.

Temos um Congresso disfuncional. Um sistema corrupto em sua dinâmica. Uma sociedade histérica e sem formação política. Lamentei demais que perdemos nessas eleições a chance histórica de discutir o Estado de forma mais sistêmica e complexa. Até como forma de melhorar a consciência e articulação do eleitorado. E, independente do resultado, sairmos um pouco conscientes. Nada disso.

E Marina Silva joga uma pá de cal nessa tênue oportunidade.

Personalista, irresponsável e paranóica. Se não paranóica, cínica. A carta de Marina Silva é o capítulo mais baixo de sua biografia. E um dos mais tristes de nossas modernas eleições.

Fonte: http://on.fb.me/1niAAMT

Por Bruno Torturra, jornalista, fotógrafo e um dos principais porta-vozes da Mídia Ninja.


Créditos de imagem: novoblogdobarata.blogspot.com

 

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