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Por Carlos Russo Jr.

Quando Monteiro Lobato, após ser nomeado adido comercial nos Estados Unidos, retornou ao Brasil, trouxe planos grandiosos de salvação econômica para o atraso do Brasil colonial. O primeiro deles foi a Campanha do Ferro: é preciso “ferrar o Brasil”. Anos após a sua morte, a Companhia Siderúrgica Nacional, seria formatada.

A próxima batalha, ainda mais ampla, foi a Campanha do Petróleo. Nos anos 30 havia interesse oficial em se dizer que no Brasil não havia petróleo. Monteiro Lobato na contramão dos interesses dominantes, fundou a Companhia Petróleos do Brasil, e graças à grande facilidade com que foram subscritas suas ações, inaugurou várias empresas para fazer perfuração.

Em dois livros, Ferro (1931) e O Escândalo do Petróleo (1936), o escritor documentou os lances dramáticos da duríssima batalha que teve que travar contra a “carneirada da burocracia” e contra os “moinhos de vento”, movido unicamente pelo afã de prover o Brasil de uma indústria petrolífera independente. O último livro esgotou várias edições em menos de um mês. A ditadura de Getúlio Vargas, a qual era acusada de “não perfurar e não deixar que se perfure”, proibiu o livro e mandou recolher todos os exemplares disponíveis, o primeiro lance da longa sequência de escândalos envolvendo o ouro negro brasileiro, que prosseguem nos dias de hoje.

A guerra que lhe moveram os governantes e sabotadores dos interesses pátrios terminou por deixá-lo pobre, doente e desgostoso e, até mesmo, levá-lo ao Presídio Tiradentes, onde como preso político foi confinado por seis meses, naquela mesma cela do Pavilhão n.1, pela qual passariam tantos presos da ditadura militar de 1964.

Monteiro Lobato foi um dos homens mais íntegros e corajosos que já viveram neste país, um intelectual “à moda antiga”, daqueles que passados quase um século a nossa pobreza ética e intelectual ainda se ressente.

Leia o texto integral: http://proust.net.br/blog/?p=646

Carlos Russo Jr.. Do blog Espaço Literário Marcel Proust.


Créditos de imagem: arquivo.geledes.org.br

 

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