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Janeiro efetivamente começou na semana passada. Foi empossado o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. As tarifas dos transportes públicos foram majoradas em diversas cidades. O reajuste do piso salarial dos professores da rede pública foi divulgado. O setor automotivo continuou demitindo trabalhadores; foram mais de dez mil ao longo de 2014.

Os movimentos sociais já estavam em posição defensiva, com a guarda levantada, ocupados na luta pela preservação de conquistas sociais sob ameaça da política de ajuste fiscal anunciada por Brasília. Assim, imediatamente, reagiram às investidas do patronato e do Estado. Os metalúrgicos do ABC estão — há dias — em greve, em duas montadoras. E o ‘Movimento Passe Livre’ comandou protesto contra o aumento da tarifa no transporte público, com destaque especial para a mobilização paulistana (que contou com milhares de participantes); o primeiro ato foi no dia 9 e já está sendo convocada nova mobilização, para a capital paulista, para sexta-feira (dia 16).

Os movimentos de massas deste início de ano ainda são de expressão diminuta e setorial. Certamente, ganhariam corpo e continuidade se o emprego e a renda — pontos fortes da economia brasileira — interrompessem a trajetória positiva que registram há anos.

Os números recentes do mercado do trabalho registram baixos índices de desemprego e ganhos efetivos de renda. Exemplo: o rendimento médio real dos trabalhadores, em 2014, situou-se na faixa dos R$ 2.150 (um incremento anual de 2,7%). E a massa de rendimento real dos ocupados também cresceu em 2014: 3,5% (dados da Pesquisa Mensal de Emprego/IBGE, de novembro, divulgada no último 19 de dezembro).

Este comportamento positivo da renda foi registrado em contexto de estagnação econômica e de significativas pressões inflacionárias : a seca prejudicou a agropecuária, o dólar pressionou os custos de produção, o consumo aquecido emulou a remarcação de preços.

Mesmo nestas condições adversas (reforçadas pelo discurso agressivo da oposição e potenciadas pela cobertura negativa da mídia), a meta inflacionária não foi ultrapassada em 2014, com o índice oficial (IPCA: 6,41%) ficando abaixo do teto definido.

A partir de agora esse equilíbrio, mesmo que instável, pode ser substituído por período de maior restrição ao crescimento (recessão), pois a nova orientação da política econômica indica que o Estado brasileiro abriu mão de seu papel anticíclico fundamental para a manutenção da estabilidade econômica desde a crise de 2008.

Fica muito clara essa nova orientação a partir da resposta que o Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, deu em recente entrevista concedida onde, instado a falar sobre os cortes no orçamento da União (R$ 22 bilhões), declarou: ”o orçamento 2015 é compatível com as previsões de mercado”.


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