Hélio Schwartzman, corajoso colunista da Folha, baseado na constatação da atual predominância em ciências exatas de judeus, em relação a outras etnias, como expresso pelo número de prêmios Nobel, atribui esta superioridade à genética. Se ele fosse um cientista teria, para chegar a tão controversa conclusão, que observar populações de controle, submetidas a condições socioeconômicas e culturais semelhantes. O mesmo raciocínio e a mesma evidência permitiria concluir que judeus ortodoxos seriam intelectualmente inferiores, por determinação genética, tanto aos judeus não ortodoxos quanto aos cristãos.

Para aceitarmos a tese do eminente jornalista teríamos que reconhecer que nos 3 ou 4 séculos que precederam a era cristã, os gregos eram geneticamente superiores ao resto da humanidade (e que de lá para cá degeneraram geneticamente), que durante a idade média árabes e povos da Itália e da França foram geneticamente superiores, e que anglo-saxões somente a partir do século XVIII vieram a se revelar geneticamente superiores.

Einstein em seu túmulo, ou em cinzas, ou no ventre de vermes, está virando e bufando de indignação por sua memória ser usada para alimentar preceitos e preconceitos raciais, contra o que sempre lutou.

Entretanto, apesar de pífia a argumentação do Jornalista Schwartzman, é concebível que a genética determine características intelectuais assim como o faz com traços físicos. Em artigo próximo, discutiremos uma outra explicação para o sucesso de judeus em Ciências exatas.

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Rogério Cerqueira Leite
Físico, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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