Em Destaques, Sem papas na língua

“Dois caminhos divergiam em um bosque amarelo, apreensivo por não poder tomar os dois, fiquei longamente hesitante. Então tomei aquele menos usado”. (R. Frost, minha tradução).

Houve um momento, em passado recente, digamos cinco anos, em que, ao Brasil, duas rotas para a produção de combustíveis se apresentavam. De um lado a expansão da produção de etanol, e de outro, a exploração de petróleo do pré-sal.

O Brasil dominava a tecnologia de produção de etanol de primeira geração. Havia disponibilidade de terras aráveis adequadas ao plantio de cana de açúcar o que é um imenso potencial de aumento de produtividade com o eminente desenvolvimento do etanol de segunda geração, hoje uma realidade.

Por outro lado, o aproveitamento do petróleo do pré-sal carecia de tecnologia no Brasil e no exterior. As reservas inferidas de 15 bilhões de barris seriam extintas em 20 anos para a produção anunciada de 2 milhões de barris por dia, equivalente àquela do petróleo convencional da época, no Brasil.

Como a produção total de petróleo no Brasil não aumentou nestes últimos três anos, ficando em torno de 2,5 milhões de barris/dia, e como anunciado recentemente pela Petrobrás, a contribuição do pré-sal é de 400 mil barris/dia e isto só poderia ter ocorrido nestes últimos três anos, a produção de petróleo convencional dentro de seis anos terá caído à metade do que era há três anos, ou seja, para um milhão de barris/dia.

Pois historicamente sabemos que uma vez que a produção de um poço ou campo passa a cair a certa taxa, esta, em geral, aumenta com o tempo. Ou seja, tudo indica que na melhor das hipóteses a produção nacional de petróleo estagnará nesses dois milhões de barris/dia e jamais alcançará os quatro milhões propalados pela Petrobrás.

Com o inexorável aumento de consumo de combustíveis líquidos e o crescente recurso às termoelétricas, o Brasil deverá aumentar suas importações de petróleo e derivados de maneira expressiva.

Se tivesse optado pelo etanol teria sua independência energética assegurada, certamente, até 2020 e com investimentos significativamente menores.

O poeta termina seu poema com desesperança: “daqui a alguns anos estarei dizendo isto com um suspiro: dois caminhos…”. Mas o Brasil ainda pode tomar o caminho seguro.

Créditos de imagem: planobrazil.com

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