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“Quem se desloca, recebe. Quem pede, tem preferência”

                                          Gentil Cardoso.

‘Quem pede, tem preferência’ – O Governo Dilma, feito um malabarista chinês, tem que manter administrados os fatores de crise que poderiam dificultar a marcha da reeleição.

Como ‘quem pede, tem preferência’, os reclamos do lobby do mercado financeiro foram os primeiros a serem atendidos. E os juros básicos foram elevados para 10,5%, na reunião do Copom que abriu o ano. É com este ‘atestado de boa conduta’ que Dilma espera ser recepcionada em Davos/Suíça, no Fórum Econômico Mundial.

Mais difícil será fazer o acerto político com os partidos que formam a base de apoio da Presidente. Nesta semana, Dilma esteve duas vezes com Michel Temer, procurando ajustar as demandas do PMDB às possibilidades governistas.

Os óbices são muitos. Os peemedebistas querem dirigir mais um ministério, além dos cinco que hoje comandam. Estão de olho no aparato administrativo do Ministério da Integração, até recentemente sob as asas do PSB de Eduardo Campos. Mas Dilma alega precisar incorporar duas outras legendas (PTB e PROS) na reforma ministerial que planeja executar antes do Carnaval deste ano.

Além disso, os dirigentes do PMDB cobram maior apoio eleitoral do Partido dos Trabalhadores, na disputa que será travada em algumas unidades da Federação. Rio de Janeiro, Ceará, Maranhão, Alagoas e Pernambuco seriam os casos mais visíveis deste pleito.

Dilma negaceia, pois sabe que o PT resiste a ceder espaços na máquina administrativa federal. E o presidente do Partido, Rui Falcão, que sabe ser preciso negociar, recebeu a difícil missão de circular pelas regiões mais críticas, buscando saídas para os impasses. Por este motivo, ele esteve no Ceará, Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro, nesta semana.

‘Quem se desloca, recebe’ – Dilma também precisa considerar nesta equação reeleitoral a ebulição da sociedade brasileira, em movimento intenso, particularmente desde Junho de 2013. Afinal, as demandas populares postas como prioridades ainda estão na agenda: a qualidade e o preço dos serviços públicos (em especial os que afetam a mobilidade urbana), as corrompidas estruturas políticas, as desigualdades sócio-econômicas.

A série de episódios e de conflitos recentes, que movimentaram o mês de janeiro de 2014 – as prisões maranhenses, os rolés nos shoppings, as matanças no interior paulista, as diversas queimas de ônibus em regiões metropolitanas, a crise no sistema de ensino Galileo (Gama Filho, UniverCidade), índios versus brancos na Amazônia (Humaitá), o clima de insatisfação com a preparação para a Copa do Mundo no Brasil, as incertezas quanto ao cenário econômico a partir de 2015 – indica que a disputa sucessória de 2014 vai se desenrolar sob tensa conjuntura sócio-político-econômica.

Créditos de imagem: cartapolis.com.br

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