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A República brasileira – proclamada no século XIX – completa 125 anos neste ano de 2014. Já a reeleição é instituição muito mais recente, criada há cerca de duas décadas (em meados dos anos ’90 do século XX).

O fenômeno reeleitoral ainda é pouco estudado por aqui, mas um especialista (Clifford Young, dirigente do instituto de pesquisa Ipsos, que esteve no Brasil há pouco), declarou – segundo a revista Exame – que os índices de aprovação popular dos governos seriam “o indicador mais importante para prever reeleições ou vitória de governistas nas eleições de sucessão”. Na avaliação de Clifford, deveríamos considerar que haveria um ‘desejo de continuidade’ por parte do eleitorado quando a taxa de aprovação do governo superar os 55%.

Em 2014, quatro enquetes de opinião eleitoral foram divulgadas e indicam que a Dilma Rousseff não vive uma lua-de-mel com os eleitores: (a) na pesquisa Vox Populi/CartaCapital, o governo é considerado “bom” ou “ótimo” por 34% dos pesquisados; (b) para CNT/MDA , a gestão federal é bem avaliada por 36% dos brasileiros; (c) a taxa de aprovação ao governo Dilma Rousseff, na pesquisa Ibope/Estado, foi de 39%; (d) para o Datafolha, o governo Dilma é avaliado positivamente por 41% dos entrevistados.

Ainda segundo as análises de Clifford Young, quando as taxas de aprovação são inferiores a 39%, os candidatos à reeleição estariam atravessando uma situação de risco, pois haveria a forte sinalização de que a população estaria a querer mudanças: “Nesse caso, as estatísticas da Ipsos mostram que em 250 eleições pelo mundo, o presidente ou seu candidato perde na esmagadora maioria das vezes”.

No Brasil, os dados empíricos não seriam motivos de preocupações mais graves para a presidente Dilma: FHC (reeleito em 1998) e Lula (reeleito em 2006) foram reconduzidos à Presidência quando as pesquisas de opinião pública registravam – a menos de um ano das suas reeleições – taxas de aprovação para seus governos que giravam em torno de 1/3 do eleitorado, informa a CNT.

Seria outra a causa à disparar o sinal de alerta no Palácio do Planalto: quesito da pesquisa CNT/MDA indica que 62% dos entrevistados querem que a próxima gestão a ser eleita em outubro mude total ou majoritariamente a forma atual de governar. A enquete do Datafolha aponta para a mesma tendência: 67% querem que as ações do próximo presidente eleito sejam diferentes das atualmente implantadas.

Entrevistado pelo ‘Brasil Econômico’, Carlos Lessa reconhecia as dificuldades enfrentadas pela presidente, mas afirmava acreditar na reeleição de Dilma: “Sabe por quê? Não há oposição a ela. Marina não é oposição, os meninos de Minas, de Pernambuco, não são. A Marina diz que Dilma não fez tão bem quanto o Lula. O menino de Pernambuco critica que ela não faz a política estabilizadora correta. E o menino de Minas fala a mesma coisa. No momento, não há discurso de oposição. O que se tem é muita gente incomodada com a situação atual, mas não há espaço para jogar isso em cima de ninguém”.

A fragilidade da oposição fica exposta nas respostas oferecidas pelo eleitor à uma das perguntas feitas pelo Datafolha [‘quem está mais preparado para fazer mudanças no Brasil?’] – (1) para a maioria, seria Lula (segundo 28% dos entrevistados) ou então a presidente Dilma (preferência de 19%); (2) para a oposição, restaram opções minoritárias: Joaquim Barbosa (14%), Marina Silva (11%), Aécio Neves (10%) e Eduardo Campos (5%).

A situação apontada nas enquetes e no discurso de Carlos Lessa nos faz lembrar o dito – em 1998 – por outro economista, Delfim Netto, a respeito das “previsões sobre a reeleição de FHC: ‘Se um poste disputar com Fernando Henrique, o poste tem grandes chances de ganhar. Mas, se derem nome ao poste, FHC se elege sem fazer força’.[…]”. Guardadas as diferenças, esta boutade também poderia ser aplicada para a presente conjuntura…

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esmaelmorais.com.br

Eventuais perspectivas de mudança do quadro eleitoral dependem, segundo os analistas, dos rumos que a economia brasileira seguir em 2014. Contudo, chegamos à última semana do segundo mês do ano e a “tragédia” na economia ainda está por vir e para “surpresa” de todos, o fluxo de recursos externos é positivo, o lucro das empresas continua alto, a inflação não saiu do controle, o emprego continua estável.

E pelo precário nível do debate econômico que estamos a testemunhar nos meios de comunicação – onde ninguém parece ter muito a oferecer a não ser mais quatro anos de “stop and go” – o Brasil poderá por a perder outra oportunidade estratégica de reorientar o desenvolvimento nacional.

Créditos de imagem: poesiacronica.blogspot.com

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