Em Conjuntura Internacional, Destaques

Por Clifford Krauss

Os preços do petróleo registraram uma nova queda acentuada nesta segunda-feira a níveis não vistos desde as profundezas da recessão de 2009. Vários bancos internacionais previram preços até mais baixos para este ano devido a um mercado mundial com oferta excessiva de petróleo.

A última queda em espiral de mais de 5% arrastou para baixo uma série de índices de referência de petróleo bruto em mais de 55% desde junho, em uma das quedas mais rápidas de todos os tempos para a commodity volátil.

A queda veio até mesmo num momento em que a Venezuela e o Irã coordenaram esforços para persuadir a Opep a cortar a produção; a Canadian Natural Resources, um grande produtor mundial, anunciou profundos gastos em investimento; e as empresas americanas reduziram suas contas com aparelhos de perfuração a uma velocidade cada vez maior.

A forte queda do dia começou depois que a Goldman Sachs divulgou um relatório pessimista sobre o petróleo no domingo à noite prevendo que o índice de referência americano de preço, que caiu a cerca de US$ 46 o barril na segunda-feira, cairia a US$ 41 em três meses e US$ 39 em seis meses — antes de se recuperar para US$ 65 no final do ano.

Acreditamos que esse mercado em baixa deverá ser caracterizado por algo como uma recuperação em formato de U onde os mercados demoram mais tempo para se recuperarem,” diz o relatório da Goldman Sachs, “e deverá se recuperar a preços bem mais baixos do que o que foram vendidos”.

Os motoristas continuam a aproveitar os benefícios da queda dos preços do petróleo. O preço médio para um galão de gasolina comum na segunda-feira era de US$ 2,13, segundo a AAA auto club, 7 centavos mais baixo do que há uma semana, 47 centavos mais baixo do que há um mês e US$ 1,17 abaixo do preço de um ano atrás. O clube afirmou que 18 estados tinham agora preços médios de gás que estavam abaixo de US$ 2 o galão e que “esse número poderia subir a 25 por volta do fim da próxima semana segundo as tendências atuais.”

Analistas de petróleo dizem que o mercado global de 93 milhões de barris por dia tem um superávit de oferta entre um milhão a dois milhões de barris, e esse excedente não vai embora tão cedo.

A produção americana, que cresceu em mais de um milhão de barris por dia em cada um dos últimos três anos por causa de um frenesi de perfuração de xisto em Dakota do Norte e no Texas, continua crescendo, embora a uma taxa mais lenta. A conta de equipamentos de perfuração em terra firme nos Estados Unidos, de acordo com a empresa de serviço de petróleo Baker Hughes, caiu em 60 plataformas na segunda semana de janeiro, mas a conta ainda permanece pouco alterada em relação há um ano já que os equipamentos de perfuração costumam ser alugados  em contratos de vários anos.

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Em outros lugares, produção e exportação ainda estão crescendo em vários países, com destaque para o Iraque.

O crescimento desacelerado na Europa e em partes dos países mais desenvolvidos estão reduzindo a demanda. E como notou o relatório da Goldman Sachs, uma década de investimentos em armazenamento em terra e petroleiros significa que produtores podem continuar produzindo petróleo para manter suas receitas sem ficar sem espaço para estocar seu excedente da produção de petróleo.

Mas exportadores de petróleo afirmam que um preço a longo prazo nos níveis atuais pode contornar substancialmente a indústria americana de petróleo, ou pelo menos causar fortes danos financeiros a várias empresas menores que tomaram altos empréstimos para perfurar em áreas afastadas das pedras de xisto mais produtivas.

O limite de dano para os perfuradores de xisto nos Estados Unidos foi alcançado quando os preços do petróleo americano desabaram abaixo de US$ 50 o barril,” disse Per Magnus Nysveen, analista-chefe da Rystad Energy, uma consultoria global com sede na Noruega.

Em um relatório lançado na segunda-feira, Nysveen observou que as empresas de petróleo nos Estados Unidos começaram este ano pela primeira vez a desativar aparelhos de perfuração horizontais capazes de penetrar através de rochas densas de xisto no campo de Bakken em Dakota do Norte e os campos de Eagle Ford e Permian Basin no Texas. Esses três campos representavam a espinha dorsal do renascimento da produção americana de petróleo nos últimos anos”, conclui a matéria do New York Times.

Publicação em português: Jornal do Brasil

Clifford Krauss. Jornalista.


Créditos de imagem: nyt.com

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